segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Viagem Pessoal.

Experimento mil calças, centenas de blusas e opto pelo vestido. Passo pelas ruas observando atentamente cada detalhe, as retas paralelas, as flores que ainda irão brotar e até a formiguinha inquieta. Sou uma eterna turista na rua em que sempre vivi.
Pego o mesmo ônibus de sempre, fico olhando vidrada o abstrato tomando velocidade. Isso da uma vontade gigantesca de escrever algo, mas nunca tenho lápis ou papel. Logo escrevo na mente milhares de pensamentos bonitos.
Penso no quanto é bom ser essa criatura meio chata, meio idiota e até gosto um pouquinho mais de mim assim. Mesmo com minhas crises e manias eu aprendi a me suportar e hoje até convivo bem com as múltiplas Camilas.
Já me acostumei a conviver com a mania de organização intensa passageira. Limpa, limpa, limpa, lava, lava, lava, seca, seca, seca... Fico exausta, porém feliz em ver tudo em ordem e depois quando a desordem volta, vivo bem assim no meio da bagunça mesmo e curto uma preguiça danada.
Nem sequer me importo mais em ficar uma hora pintando as unhas para depois olhar bem fixamente e chegar a conclusão de que minhas unhas ficam bem melhor sem esmalte.
Às vezes até acho normal a minha fome de coisas que não existem, meus sentimentos intensos e meu frio exagerado. Passo horas reclamando banalidades e no fim chego a conclusão de que tudo é perfeito assim. Olho meu reflexo no vidro e fico feliz em ver essa harmonia desconexa, todas aquelas amarguras, tristezas e descontentamentos ficando pelo caminho.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Ancorado.

'nem sei se a dor é suporte
pra tanta aventura vã
eu fico apertando do toque
a saudade de suas mãos
bem sei que nada é pra sempre,
mas tudo é eterno
pras coisas que a alma se curva'

Vavá Ribeiro - Ancorado



Dor de cabeça, inquietação e ansiedade. Meus olhos passaram a tarde inteira engolindo lágrimas, encharcaram a alma. É estranho, mas, nos momentos serenos tudo permanece tranqüilo e equilibrado. Uma tranqüilidade um tanto quanto assustadora, pois quando realmente preciso, eu me vejo como em tempos passados. Acredito mesmo que o que deveria passar continua aqui comigo. Por mais que eu mude e insista em não enxergar. Está sempre aqui dentro de mim.
Passo a maior parte do tempo procurando coisas que nem sei se existem. Acreditando em fatos tão concretos que não conseguem atravessar minha bolha. Os meus inúmeros sorrisos carregam um peso de tristeza oculta, uma inconstância que não está no mundo, nem nas circunstâncias e sim em mim. Tento me concentrar um pouco mais nas coisas reais, mas aqui dentro, tudo grita. Acordei brigada comigo mesma. Tudo cria complô e tudo me chateia. Vasculho todos os pensamentos, respostas que nunca vou encontrar. Desmotivada demais para ver flores no caminho. Cansada de tentar entender, de procurar solução. Cansada da minha bolha impermeável. A verdade é que eu tento, eu sempre tento.