sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A flor.


Enquanto esperava o ônibus, duas senhoras se aproximaram e iniciaram um assunto qualquer. Falavam sobre os colares, o cabelo, as alegrias e a vida em si. Eu como sempre, pouco interativa não consegui render muito assunto, e logo o papo acabou. Até que insatisfeitas com a demora do ônibus, começaram uma discussão. “Mas esse ônibus não vem nunca”, “dessa maneira o melhor é ficar em casa, ou ir a pé”, “eu deveria ter ido para o outro ponto, pois lá o ônibus não demora”, “feriado é sempre essa tristeza, isso desanima qualquer um”...
Aquelas palavras foram me adentrando sem pedir licença, me enchendo de tristeza e tédio da vida. Eu também não estava satisfeita com a demora, mas a reclamação estava me esgotando muito mais. E eu tentava sem grande sucesso me manter aérea a tantas reclamações chulas e em vão, enquanto ambas insistiam em me envolver ainda mais naquele clima chato e cansativo. “Você não acha? É fora de brincadeira essa demora, o próximo deve vir só daqui à uma hora pelo visto! O céus porque eu não fui a pé...” Eu já estava praticamente enlouquecendo, quando um garotinho veio correndo em minha direção e me deu uma flor. Foi um ato tão inesperado pra mim, fiquei surpresa e sorri de uma forma única, como se todas aquelas palavras ruins tivessem enfim saído de mim, sorri agradecida. E ele me olhou tão terno e quando eu sorri foi como se ele tivesse ganho o dia, voltou correndo para o seu pai e lhe contou euforicamente.
Às vezes as pessoas complicam tanto as coisas e muitas vezes só precisamos de uma flor ou um simples sorriso.

domingo, 11 de novembro de 2007

Um texto para você!

Hoje eu não quero falar sobre os meus amores mal resolvidos, das minhas tristezas e muito menos dos meus problemas. Por hoje não vou focar o negativo. Porque enquanto essas coisas ruins acontecem, tem sempre um amigo disposto a tudo para me ver bem. Resolvi dedicar um texto a cada um de vocês, responsáveis por tudo isso. Um gostar tão puro, sincero e valioso que seria muita desconsideração da minha parte em não citá-los. Porque enquanto o mundo inteiro cria motivos para me fazer chorar, vocês me dão zilhões de motivos para continuar sorrindo e quando caiu e perco o animo de levantar e seguir em frente, vocês me levantam na marra. Sou eternamente grata a cada um de vocês, que me ajudam de forma direta ou indireta, que agüentam minhas constantes mudanças de humor, essas neuras, meus casos tão repetidos, minha impulsividade, meu jeito por vezes meio autista e até mesmo meu blog e meus textos. Eu poderia passar horas aqui dedicadas a descrever as lembranças que eu tenho: o abraço apertado que sufocou minhas dores e tornou as palavras desnecessárias, da mensagem sobre os reais valores de cada ser, dos depoimentos, das palavras certas, dos dias perfeitos que vocês me proporcionam... Amo cada um de vocês da forma mais intensa que conheço. Amo-os da maneira mais bonita e sincera que sou capaz. Dedico a vocês um texto simples, longe de conseguir descrever o bem que vocês me causam. Sou antes de tudo uma fã, é uma honra para mim ter amigos tão perfeitos. Amo-os em cada linha, frase, abraço, olhar. Amo-os, simplismente.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Fotografia.

Eu, você, nós dois...
Aqui neste terraço à beira-mar
O sol já vai caindo
E o seu olhar
Parece acompanhar a cor do mar
Você tem que ir embora
A tarde cai
Em cores se desfaz,
Escureceu
O sol caiu no mar
E aquela luz
Lá em baixo se acendeu
Você e eu
Eu, você, nós dois...
Sozinhos neste bar à meia-luz
E uma grande lua saiu do mar
Parece que este bar já vai fechar
E há sempre uma canção
Para contar
Aquela velha história
De um desejo
Que todas as canções
Têm pra contar
E veio aquele beijo
Aquele beijo
Aquele beijo

Tom Jobim

Sinto uma vontade gigante de saber o que se passa com você. De te mandar um e-mail, scrap, mensagem, carta, te ligar ou sei lá o que. Inventam tecnologia pra tudo, facilitam nossa comunicação. Porque diabos não facilitam a dor de gostar de alguém?
E esses garotos vêm de mansinho, como quem nada quer e declaram seu novo gostar semanal. Um gostar tão passageiro, tão efusivo, tão banal.
Que me faz lembrar de você, que eu já nem sei mais onde, quando ou como. Será que eu fui só um gostar semanal? Mas não é possível, logo você. Eu depositei minhas esperanças em você, confiei e até cheguei a acreditar que era possível. Pra que você fez isso afinal?
Que fosse ao menos sincero, antes a dor da verdade rasgada do que essa eterna interrogação. Essa dúvida que me mata, me faz perder a noção, falar coisas que eu nunca deveria dizer, mas continuo sempre dizendo. Porque o talvez não preenche nada, é como uma pergunta sem resposta. Um eterno três pontinhos, que vai me desfragmentando em partículas de dor. Uma dor que não sei se é em vão, intensa ou amena.
Uma dor agonizante, que dói mas eu não consigo identificar onde. Uma dor que apenas dói, com a dúvida de quando e como irá cessar.