domingo, 29 de junho de 2008

Eu e você.

Quando vejo você, chegando assim, com esse sorriso que me ganha tão fácil, com seu fone de ouvido pendurado na camisa e seu olhar que me prende, embarco em outra dimensão. Penso apenas em como é bom te ver chegar assim ao longe, com seu fone, balançando para lá e para cá, me hipnotizando em sua direção. Você tem todo aquele kit essencial, a inteligência que sempre procurei e o bom senso que nunca encontrei. Tento não ser tão clichê e ridicularizada, mas quando paro para pensar, já sou na maior intensidade. Pois quando lhe vejo, minha única vontade é ficar para sempre envolvida no teu abraço. E os dias que passam sem a sua presença, eu fico assim meio amuada recordando o que já passou. Nesses dias o leãozinho, aquele que você me deu, me olha triste e inconformado. Ele tem um ar de carência e ingenuidade, e me olha por horas assim meio de lado. Acredito que ele entenda bem essas dores do querer demais. Sabe, por vezes brota uns sentimentos estranhos. Sinto um medo gigante de perder tudo por tão pouco. Perder a esperança, a alegria e todo o resto. Tantas vezes vivi um amor fugaz projetado apenas pela minha criatividade. Se você for apenas uma projeção que criei para me preencher, que seja, mas seja sempre e na maior intensidade. Tenho medo de voltar àquela busca sem fim e meio desacreditada. Meu coração encontra-se tão bem acolhido assim, chega a ser um vício. Um bom vício, do qual não quero me desfazer. Porque você se encaixa perfeitamente nos meus desejos mais profundos e principalmente no meu coração.

domingo, 22 de junho de 2008

Incertezas.

Tudo amargamente estranho. Escutei a mesma música centenas de vezes. Uma confusão na cabeça e já nem sei se há razão para tanto. São tantas idéias deslumbrantes e terríveis que brotam sem pedir licença. Mistura essa sensação de medo com euforia, fica tudo desgovernado e eu detesto perder o controle das coisas. Meus olhos possuem vida própria e passam horas a te procurar. E nesses dias aflitos em meio a tantos carros, esquinas e prédios, eles desejam apenas teu sorriso que não se pos aqui.
Vozes distantes vieram contestar a veracidade dos fatos, a intensidade do acaso. A cena se desfez e incorporou tristeza e confusão. Meu coração ficou tão apertado e confuso. Logo ele que acreditava tanto. Agora solta um suspiro assustado e teme o que virá. Os olhos já não querem ver o que está adiante. A cada passo é uma aventura nova, não há como saber quando tudo virá a desabar. Não encontro evidências que me incentivem a seguir, alicerces ainda estão sendo construídos.
Meus olhos se fecham para tudo que possa ferir. Passam horas lendo suas frases e gestos singelos, almejando um dia lhe desvendar. E nesses seus textos mais tristes, lacrimejam emoções. Tantas dúvidas e incertezas nascem em mim. Soa como tempestades na minha aridez. Hoje minha cabeça dói, a dúvida permanece e a saudade invade fazendo moradia em mim.

Simplesmente posso esperar
Aqui por você, uma eternidade
Uma tarde inteira
Simplesmente posso encontrar
Qualquer distração, ruas da cidade
Restos de uma feira
Tomo um atalho no largo
Só pra te perder
Enquanto olho os aviões
Nada tremeu no ar
Não vi nenhum sinal
Mesmo assim eu posso esperar

Marina Machado - Simplesmente

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Frio.

Frio. Muito frio. Faço um achocolatado bem quente que desce marcando trajetos. Embrulho-me no edredom, fecho os olhos e tento esquecer um pouco do muito que é tudo isso. Mas de nada adianta. Ando feito uma barata tonta atordoada. Sinto fome de algo que nunca comi, saudade de um lugar que nunca fui e nem ao menos sei se existe. Que estranho, parece que nada faz sentido. A TV só aumenta minha ânsia, tantos canais, mas por Deus é tudo igual? Em dias assim, nem meu violão obedece meus comandos. Toca desenfreado por cima da minha aflição. Nenhum lugar é confortável o bastante, passo a tarde toda inquieta. E penso, paro, mudo de lugar, tomo outro banho, medito e repenso. Toda essa sensação me lembra de coisas já esquecidas. De como tudo muda, mas permanece. De como era a minha infância e a maneira com que eu observava a tudo e todos. Chegava a ser engraçado, eu lá sentada assistindo ao longe as crianças nos seus patins a esborrachar-se no chão. E ao primeiro convite a se juntar à brincadeira eu não pensava duas vezes. Como é duro sentir demais e falar de menos. Ser tão frigida e tão derretida. Toda essa intensidade que me agonia e não me deixa em paz. Ligo novamente o computador e começo a escrever algo desconexo e sem rumo. Como é bom me desfazer deste peso. Palavras saem de mim e criam vida em outros ambientes. Ha sim, agora tudo faz sentido novamente.

domingo, 8 de junho de 2008

A garota dos sonhos.


Uma garota, uma simples garota. Formada principalmente por sonhos e desejos sutis. Sonhos tais que procuravam, sem mais esperança, espaço para transformar-se em vida. Ela seguia assim meio sem rumo com sua pesada bagagem. Não sabia onde poderia guardá-la com segurança. Sabia apenas que não deveria abandoná-la por ai.

Por vezes seus sonhos acumulavam e pesavam tanto que sua única vontade era descarregá-los em alguma esquina qualquer. Vez ou outra os transformava em textos e músicas ou simplesmente os libertava em filmes, livros e até mesmo nas suas fantasias reais. Fantasiava amores nunca vistos, vivia histórias que alimentavam seus inúmeros sonhos. Histórias ligeiras para não transpor sua ilusão.

Era vista por muitos como uma garota exigente, que se dedicava a alimentar sonhos por medo da realidade. Alguns passavam dias devotos tentando lhe convencer que seus sonhos eram em vão. Outros queriam fazer parte de toda essa fantasia, mas possuíam sonhos pequenos ou ligeiros demais.

Dias e mais dias. Tantos sonhos passados para trás, tantos outros ofuscados pela espera e falta de esperança. Ela já não acreditava mais, sua bagagem de sonhos tinha se tornado apenas um adereço tolo.

Vez ou outra a abria para checar. No fundo ela sabia que eram seus sonhos que a mantinha viva. Quando os via assim tão de perto ela enxergava motivos para continuar sua jornada, tudo adquiria cores e fazia sentido. Numa dessas vistorias, alguém a empurrou para dentro da bagagem. Ela se perdeu e hoje vive assim. Já não sabe mais o que é vida e o que é sonho. A vida virou um sonho, o sonho se tornou vida.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Gira-gira.

Hoje chorei todas as suas dores
Desejei resguardar-te no meu abraço
Só para não lhe ver tão só assim

Quis transferir o meu sorriso e um encanto
A doçura do meu pranto ingênuo
Para lhe ver seguir

Bolei milhões de fórmulas químicas
Almejei compostos capazes
De transformar toda sua lástima

Não quis ser apenas
Nem tampouco sentir somente
Essa frustração despercebida

Embora sua desventura não seja somente sua
E o mundo continue a girar sem esperar
por maiores magnificências

Posso sentir essa dor passível
Que embora presente em mim
Ainda não se fez valer

O mundo continua desenfreado
Com seu ligeiro e constante rumo
Já sem tem tempo para tantos abandonos ignorados