quarta-feira, 18 de junho de 2008

Frio.

Frio. Muito frio. Faço um achocolatado bem quente que desce marcando trajetos. Embrulho-me no edredom, fecho os olhos e tento esquecer um pouco do muito que é tudo isso. Mas de nada adianta. Ando feito uma barata tonta atordoada. Sinto fome de algo que nunca comi, saudade de um lugar que nunca fui e nem ao menos sei se existe. Que estranho, parece que nada faz sentido. A TV só aumenta minha ânsia, tantos canais, mas por Deus é tudo igual? Em dias assim, nem meu violão obedece meus comandos. Toca desenfreado por cima da minha aflição. Nenhum lugar é confortável o bastante, passo a tarde toda inquieta. E penso, paro, mudo de lugar, tomo outro banho, medito e repenso. Toda essa sensação me lembra de coisas já esquecidas. De como tudo muda, mas permanece. De como era a minha infância e a maneira com que eu observava a tudo e todos. Chegava a ser engraçado, eu lá sentada assistindo ao longe as crianças nos seus patins a esborrachar-se no chão. E ao primeiro convite a se juntar à brincadeira eu não pensava duas vezes. Como é duro sentir demais e falar de menos. Ser tão frigida e tão derretida. Toda essa intensidade que me agonia e não me deixa em paz. Ligo novamente o computador e começo a escrever algo desconexo e sem rumo. Como é bom me desfazer deste peso. Palavras saem de mim e criam vida em outros ambientes. Ha sim, agora tudo faz sentido novamente.

4 comentários:

Anônimo disse...

"Como é duro sentir demais e falar de menos. Ser tão frigida e tão derretida. Toda essa intensidade que me agonia e não me deixa em paz"

Aiii como me identifiquei com isso...
Adoreiii seus textos Camila... encontrei na comu da Tati... e já está em meus favoritos!!
Bjãoooo
ate +

Anônimo disse...

É o texto mais lindo que eu li nos últimos dias.
Parabens!
Está Brilhante!
Beijo

Anônimo disse...

Prendada e incomparável menina moça! O tempo tem sido meu inimigo a não me permitir visitar seus textos. Quantas novidades. Quanto progresso! Lendo suas três ultimas matérias, fiquei fascinado e imaginando e perguntando-me , qual é a força que lhe motiva escrever estas coisas tão lindas! Tão “deliciosas” de se ler! Ficções ou realidades? Demais! Demais!

Tico Litlle disse...

gostei...muito.

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