sábado, 27 de dezembro de 2008

L'amour

Não entendo como o amor pode arder tanto, fazer tanto estrago. Você me apresentou para um outro lado meu que até então eu desconhecia, sequer sabia que existia. Foi me conhecer no mais íntimo. Eu chorava pelas decepções impostas, por raiva do que não era, por falta de esperança, mas por amor foi uma surpresa. O amor era algo muito distante do meu mundinho óbvio, tudo era apenas um filme em preto e branco, sem fala, sem trilha, sem fatos, tão ruim que nem havia porque ser retratado. E agora tão latente.
Talvez eu poderia encarar isso como uma prova de amor, mas do jeito que as coisas estão indo fica impossível. Parece que quer me levar apenas pela conveniência ou por medo do que o tempo nos reserva. E cada vez que eu tento falar o que
diverge é como se tudo saísse em outra língua que ninguém compreende e que ao mesmo tempo contamina todo o ambiente como um gás tóxico. E logo começa o ritual de palavras desencontradas que faz nascer uma dor inigualável que dói mais do que todas as noites em que me deitei após o vazio das festas e mais do que bater o dedinho do pé na quina. Prefiro não mais explicar e arcar com as dores posteriores que de fato são mais brandas.
Querer ser compreendida já é querer demais, mesmo amando tanto e tanto e tanto. Toda essa dor só compensa porque minha vida já tem você como parte integrante e só de imaginar como seria sem você toda essa dor se faz pequena, fraca e sem sentido. Quando o amor prevalecer eu sei que caminharemos juntos, pois não há motivo para correr a frente e curtir amargor a esperar o outro chegar. Só queria você aqui comigo.

"sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor
pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava
no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus
como você me doía vezenquando eu vou ficar esperando
você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma
praça então os meus braços não vão ser suficientes para
abraçar você e minha voz vai querer dizer tanta coisa
que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você
sem dizer nada só olhando olhando e pensando meu deus
ah meu deus como você me dói vezenquando"
Caio Fernando Abreu - Harriett

Foto da querida Amélie Poulain

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Regresso.

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Você tirou meu combustível para ver se eu funcionava no tranco. E eu fiquei parada, durante semanas esperando algo. Algo que não veio. Como uma pedra, esperando um toque de vida.

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domingo, 23 de novembro de 2008

Espaço Reservado.

.Vontade louca de enlouquecer. Tacar fogo, quebrar, destruir tudo e simplesmente sumir. Deve ser péssimo mesmo se desapontar. Mas é difícil perceber que o fato de você estar desapontado me desaponta também? É eu sei, é sempre assim, o mundo girando ao redor do umbigo. Se eu quisesse ser analisada talvez procurasse um analista e para os palpites um psicólogo, quem sabe. Onde tem espaço reservado para ser o que se é somente? Estou com porre de gente. Muita intromissão, devolvam minha bolha por favor? Quero um cantinho assim só meu onde eu possa ser somente. Quero ser uma louca intitulada, com toda a sua liberdade. Essa prisão que estou vivendo é muito pior, essa gente que não se realizou e tenta inutilmente se realizar nos outros e me prendem, puxam, limitam. Pior do que isso só as fantasias que rogam nas minhas palavras. Inconformados, todos se olham assustados, me chamam de insana, tentam delimitar o que já esta limitado. Enquanto eu estiver determinada, o céu será o meu limite.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sentimentos sentidos.

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Não sei se compensa tanta dor, tanto estrago e remendos no coração. Não sei mais qual dor é pior, se é a dor de ficar ou a dor de partir. Mesmo que eu tente me manter ponderada meu coração é dilacerado e isso ninguém é capaz de conter. Ele pode até suportar o mais intenso frio ou um calor violento, mas jamais o morno. Meu coração se fortifica nos estados intensificados e o morno é o estado que não se definiu e não se intensificou. Meu coração se alimenta assim, com os extremos, no olhar que não desvia, naquele gostar demais que é tanto que incomoda. E claro, ele não se importa se isso é surreal, pois ele acredita, ele almeja, ele quer e não se cansa. Não se contenta com o que parece ser mas não é, com o que foi mas deixou de ser, ele se revolta, enlouquece à procura do seu sustento. Eu sou apenas uma vítima dos seus desejos. Às vezes eu só quero ficar em paz, poder curtir o que há para ser curtido, aproveitar enquanto esta. Mas para ele é muito pouco, ele quer sacrifícios, ele quer um querer por inteiro. Meu coração governa meu corpo por completo e dita a razão. Eu quero correr sem freios, me arriscar, perder a razão só para poder me completar no que me sustenta e ao mesmo tempo me mata. Busco algo forte para alcançar o equilíbrio, pesar a balança e só encontro meias dedicações, meios afetos mergulhados em palavras inteiras. Quero algo capaz de gritar forte e alto para estremecer toda essa razão, enterrar todo sentimento contido. Amar não é seguir uma linha linear e tranqüila com roteiro pré-definido, não é andar nas pontas dos pés para não se sujar. Talvez seja exatamente o contrário, talvez seja a capacidade de se jogar e sacrificar toda uma história, se sujar, enlouquecer e ainda assim se sentir a pessoa mais feliz do mundo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Viagem Pessoal.

Experimento mil calças, centenas de blusas e opto pelo vestido. Passo pelas ruas observando atentamente cada detalhe, as retas paralelas, as flores que ainda irão brotar e até a formiguinha inquieta. Sou uma eterna turista na rua em que sempre vivi.
Pego o mesmo ônibus de sempre, fico olhando vidrada o abstrato tomando velocidade. Isso da uma vontade gigantesca de escrever algo, mas nunca tenho lápis ou papel. Logo escrevo na mente milhares de pensamentos bonitos.
Penso no quanto é bom ser essa criatura meio chata, meio idiota e até gosto um pouquinho mais de mim assim. Mesmo com minhas crises e manias eu aprendi a me suportar e hoje até convivo bem com as múltiplas Camilas.
Já me acostumei a conviver com a mania de organização intensa passageira. Limpa, limpa, limpa, lava, lava, lava, seca, seca, seca... Fico exausta, porém feliz em ver tudo em ordem e depois quando a desordem volta, vivo bem assim no meio da bagunça mesmo e curto uma preguiça danada.
Nem sequer me importo mais em ficar uma hora pintando as unhas para depois olhar bem fixamente e chegar a conclusão de que minhas unhas ficam bem melhor sem esmalte.
Às vezes até acho normal a minha fome de coisas que não existem, meus sentimentos intensos e meu frio exagerado. Passo horas reclamando banalidades e no fim chego a conclusão de que tudo é perfeito assim. Olho meu reflexo no vidro e fico feliz em ver essa harmonia desconexa, todas aquelas amarguras, tristezas e descontentamentos ficando pelo caminho.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Ancorado.

'nem sei se a dor é suporte
pra tanta aventura vã
eu fico apertando do toque
a saudade de suas mãos
bem sei que nada é pra sempre,
mas tudo é eterno
pras coisas que a alma se curva'

Vavá Ribeiro - Ancorado



Dor de cabeça, inquietação e ansiedade. Meus olhos passaram a tarde inteira engolindo lágrimas, encharcaram a alma. É estranho, mas, nos momentos serenos tudo permanece tranqüilo e equilibrado. Uma tranqüilidade um tanto quanto assustadora, pois quando realmente preciso, eu me vejo como em tempos passados. Acredito mesmo que o que deveria passar continua aqui comigo. Por mais que eu mude e insista em não enxergar. Está sempre aqui dentro de mim.
Passo a maior parte do tempo procurando coisas que nem sei se existem. Acreditando em fatos tão concretos que não conseguem atravessar minha bolha. Os meus inúmeros sorrisos carregam um peso de tristeza oculta, uma inconstância que não está no mundo, nem nas circunstâncias e sim em mim. Tento me concentrar um pouco mais nas coisas reais, mas aqui dentro, tudo grita. Acordei brigada comigo mesma. Tudo cria complô e tudo me chateia. Vasculho todos os pensamentos, respostas que nunca vou encontrar. Desmotivada demais para ver flores no caminho. Cansada de tentar entender, de procurar solução. Cansada da minha bolha impermeável. A verdade é que eu tento, eu sempre tento.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Ser.

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Vivi, conheci, senti, sorri, chorei, gritei, me decepcionei. Quis, consegui, realizei, cantei, dancei, me perdi. Cansei, desisti, resmunguei, me amargurei. Desacreditei, esqueci e segui. Segui assim mesmo, já meio cansada, com olhar pousado de quem assiste a vida ao longe, já sem grandes contatos. Observei atentamente a tudo, me reservei e ainda assim sofri dores que não me pertenciam. Sonhei, criei, fantasiei e vivi amores surrealistas. Crie fórmulas para me afastar de toda a realidade que não se adaptavam a minha forma. Depois de viver anos de dias repetidos, de vida utópica, de angústia contida eu pude ver o sol. Pude visualizar o nascer do sol mais belo e nas últimas chuvas de lágrimas reguei a terra estéril que brotou pureza. Floresceu esse amor tão lindo. Essa beleza frágil que me comove e desnorteia.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Corazón.

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Quase choro. Quase escandalizo. É uma dor inteira, mas eu sei, não da pra ser. É tão estranho ser essa garota normal, controlada e tranqüila por fora e ser sempre descontrolada, intensa e melancólica por dentro. Como um vulcão, alimentado pelas incertezas e principalmente por minhas desconfianças. Dói demais segurar as pontas, manter tudo em ordem para não me transformar em louca por completo. Ter que me calar, engolir o choro, ser simpática com o medo, só para não desabar minhas estruturas. Um gosto de água salgada na boca, olhos com areia e coração desenfreado. Não me lembro de outro momento assim. Meus sentimentos nunca tomaram essa dimensão. Nunca tive tanto medo de perder tudo isso, é tudo sempre por um triz. E não quero ter que me despedir, nem lhe apresentar esse meu outro lado temido. Eu sei, essa compreensão que eu almejo é complicada. Não brota assim. Mas não gostaria que viesse a me compreender tarde demais, depois da ausência dos anos. É tão óbvio, visível e grande. Não sei se você fechou os olhos e prefere desacreditar. Vai ver só consegue enxergar com os ouvidos. Mas me dói demais, cobranças e palavras amargas. Nunca acreditei, quis e senti tanto assim. Tão óbvio meu bem, não duvide e nem me faça ter que libertar a louca só para lhe fazer perceber o que qualquer coração pode entender.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Para uma menina com uma flor

. Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.

E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando.
E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.

E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.

Para uma menina com uma flor - Vinicius de Moraes

E porque eu adoro esse texto, o livro, as músicas. Adoro esse 'cara'!

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sábado, 19 de julho de 2008

Direções.

Gastei tantos dias pensando em quando e como fazer. Perdi muito tempo com medo de ser o que sempre fui e fazer o que sempre quis. Cansei de temer a vida em si. Tanta coisa por vir, tudo aqui dentro da minha cabeça só esperando que eu tenha vontade de transformar em realidade. Parei de pensar um pouco em como seria e dediquei uns minutos para retirar as injeções de obstáculos que recebi. Sei lá, não sou muito de temer as coisas, mas passei tempo demais assim, com medo. Medo até de mim, dos meus pensamentos, das minhas coisas. Medo das dificuldades, dos obstáculos e imensa preguiça da vida. Perdi tempo demais. Até o filme que eu fiquei dias esperando estreou. A banda que eu tanto gosto tocou naquela casinha de show aconchegante. Eu estava tão perdida dentro de mim, não vi nada, não senti nada. Pensar demais e fazer de menos. Quase me perco nesse labirinto, quase fico por lá. Ainda bem que entre o quase encontrei um motivo para mudar, para me decidir. A vida é feita de escolhas. Pois é, mas às vezes necessito de uns empurrões para reagir. Como não percebi? Tão obvio, estava o tempo todo aqui.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Desmotivada.

Ando bastante desmotivada a vir aqui escrever. Qualquer coisa que seja. Hoje para completar minha motivação, deparei com um texto que publiquei aqui em outro blog, sem crédito, sem nada. Sempre achei que escrever é como me despir a estranhos. Imagina, deparei comigo despida num lugar totalmente desconhecido. Vai saber o que me espera por lá... rs bem sinistro mesmo! As pessoas me cansam. Tomara que a vontade volte. De certa forma necessito disso aqui.

domingo, 29 de junho de 2008

Eu e você.

Quando vejo você, chegando assim, com esse sorriso que me ganha tão fácil, com seu fone de ouvido pendurado na camisa e seu olhar que me prende, embarco em outra dimensão. Penso apenas em como é bom te ver chegar assim ao longe, com seu fone, balançando para lá e para cá, me hipnotizando em sua direção. Você tem todo aquele kit essencial, a inteligência que sempre procurei e o bom senso que nunca encontrei. Tento não ser tão clichê e ridicularizada, mas quando paro para pensar, já sou na maior intensidade. Pois quando lhe vejo, minha única vontade é ficar para sempre envolvida no teu abraço. E os dias que passam sem a sua presença, eu fico assim meio amuada recordando o que já passou. Nesses dias o leãozinho, aquele que você me deu, me olha triste e inconformado. Ele tem um ar de carência e ingenuidade, e me olha por horas assim meio de lado. Acredito que ele entenda bem essas dores do querer demais. Sabe, por vezes brota uns sentimentos estranhos. Sinto um medo gigante de perder tudo por tão pouco. Perder a esperança, a alegria e todo o resto. Tantas vezes vivi um amor fugaz projetado apenas pela minha criatividade. Se você for apenas uma projeção que criei para me preencher, que seja, mas seja sempre e na maior intensidade. Tenho medo de voltar àquela busca sem fim e meio desacreditada. Meu coração encontra-se tão bem acolhido assim, chega a ser um vício. Um bom vício, do qual não quero me desfazer. Porque você se encaixa perfeitamente nos meus desejos mais profundos e principalmente no meu coração.

domingo, 22 de junho de 2008

Incertezas.

Tudo amargamente estranho. Escutei a mesma música centenas de vezes. Uma confusão na cabeça e já nem sei se há razão para tanto. São tantas idéias deslumbrantes e terríveis que brotam sem pedir licença. Mistura essa sensação de medo com euforia, fica tudo desgovernado e eu detesto perder o controle das coisas. Meus olhos possuem vida própria e passam horas a te procurar. E nesses dias aflitos em meio a tantos carros, esquinas e prédios, eles desejam apenas teu sorriso que não se pos aqui.
Vozes distantes vieram contestar a veracidade dos fatos, a intensidade do acaso. A cena se desfez e incorporou tristeza e confusão. Meu coração ficou tão apertado e confuso. Logo ele que acreditava tanto. Agora solta um suspiro assustado e teme o que virá. Os olhos já não querem ver o que está adiante. A cada passo é uma aventura nova, não há como saber quando tudo virá a desabar. Não encontro evidências que me incentivem a seguir, alicerces ainda estão sendo construídos.
Meus olhos se fecham para tudo que possa ferir. Passam horas lendo suas frases e gestos singelos, almejando um dia lhe desvendar. E nesses seus textos mais tristes, lacrimejam emoções. Tantas dúvidas e incertezas nascem em mim. Soa como tempestades na minha aridez. Hoje minha cabeça dói, a dúvida permanece e a saudade invade fazendo moradia em mim.

Simplesmente posso esperar
Aqui por você, uma eternidade
Uma tarde inteira
Simplesmente posso encontrar
Qualquer distração, ruas da cidade
Restos de uma feira
Tomo um atalho no largo
Só pra te perder
Enquanto olho os aviões
Nada tremeu no ar
Não vi nenhum sinal
Mesmo assim eu posso esperar

Marina Machado - Simplesmente

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Frio.

Frio. Muito frio. Faço um achocolatado bem quente que desce marcando trajetos. Embrulho-me no edredom, fecho os olhos e tento esquecer um pouco do muito que é tudo isso. Mas de nada adianta. Ando feito uma barata tonta atordoada. Sinto fome de algo que nunca comi, saudade de um lugar que nunca fui e nem ao menos sei se existe. Que estranho, parece que nada faz sentido. A TV só aumenta minha ânsia, tantos canais, mas por Deus é tudo igual? Em dias assim, nem meu violão obedece meus comandos. Toca desenfreado por cima da minha aflição. Nenhum lugar é confortável o bastante, passo a tarde toda inquieta. E penso, paro, mudo de lugar, tomo outro banho, medito e repenso. Toda essa sensação me lembra de coisas já esquecidas. De como tudo muda, mas permanece. De como era a minha infância e a maneira com que eu observava a tudo e todos. Chegava a ser engraçado, eu lá sentada assistindo ao longe as crianças nos seus patins a esborrachar-se no chão. E ao primeiro convite a se juntar à brincadeira eu não pensava duas vezes. Como é duro sentir demais e falar de menos. Ser tão frigida e tão derretida. Toda essa intensidade que me agonia e não me deixa em paz. Ligo novamente o computador e começo a escrever algo desconexo e sem rumo. Como é bom me desfazer deste peso. Palavras saem de mim e criam vida em outros ambientes. Ha sim, agora tudo faz sentido novamente.

domingo, 8 de junho de 2008

A garota dos sonhos.


Uma garota, uma simples garota. Formada principalmente por sonhos e desejos sutis. Sonhos tais que procuravam, sem mais esperança, espaço para transformar-se em vida. Ela seguia assim meio sem rumo com sua pesada bagagem. Não sabia onde poderia guardá-la com segurança. Sabia apenas que não deveria abandoná-la por ai.

Por vezes seus sonhos acumulavam e pesavam tanto que sua única vontade era descarregá-los em alguma esquina qualquer. Vez ou outra os transformava em textos e músicas ou simplesmente os libertava em filmes, livros e até mesmo nas suas fantasias reais. Fantasiava amores nunca vistos, vivia histórias que alimentavam seus inúmeros sonhos. Histórias ligeiras para não transpor sua ilusão.

Era vista por muitos como uma garota exigente, que se dedicava a alimentar sonhos por medo da realidade. Alguns passavam dias devotos tentando lhe convencer que seus sonhos eram em vão. Outros queriam fazer parte de toda essa fantasia, mas possuíam sonhos pequenos ou ligeiros demais.

Dias e mais dias. Tantos sonhos passados para trás, tantos outros ofuscados pela espera e falta de esperança. Ela já não acreditava mais, sua bagagem de sonhos tinha se tornado apenas um adereço tolo.

Vez ou outra a abria para checar. No fundo ela sabia que eram seus sonhos que a mantinha viva. Quando os via assim tão de perto ela enxergava motivos para continuar sua jornada, tudo adquiria cores e fazia sentido. Numa dessas vistorias, alguém a empurrou para dentro da bagagem. Ela se perdeu e hoje vive assim. Já não sabe mais o que é vida e o que é sonho. A vida virou um sonho, o sonho se tornou vida.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Gira-gira.

Hoje chorei todas as suas dores
Desejei resguardar-te no meu abraço
Só para não lhe ver tão só assim

Quis transferir o meu sorriso e um encanto
A doçura do meu pranto ingênuo
Para lhe ver seguir

Bolei milhões de fórmulas químicas
Almejei compostos capazes
De transformar toda sua lástima

Não quis ser apenas
Nem tampouco sentir somente
Essa frustração despercebida

Embora sua desventura não seja somente sua
E o mundo continue a girar sem esperar
por maiores magnificências

Posso sentir essa dor passível
Que embora presente em mim
Ainda não se fez valer

O mundo continua desenfreado
Com seu ligeiro e constante rumo
Já sem tem tempo para tantos abandonos ignorados

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Cores.

Quem poderia imaginar que os meus textos que falam sobre esses amores que nunca chegaram perto de ser amor, me trariam até você? E que entre tantos escritos tristes e borrados de angústia, uma luz disforme mudaria toda minha rota. Não sei bem, chega a ser confuso de tão simples. Como esse gostar brotou assim tão ligeiramente? Como pôde ocupar tão facilmente meu coração? Eu sei que esse meu gostar sempre tão raro e desenfreado por vezes se excede. Talvez amanhã você se transforme em apenas mais um texto triste entre tantos. Só gostaria que desse certo uma vez, dessa vez. A cada novo gostar a intensidade aumenta e a cada dia que passa eu consigo gostar ainda mais de você. Morro de medo de algum dia chegar ao limite, por gostar demais e explodir. Mesmo você implicando tanto com esse meu jeito de achar graça em tudo e com a minha forma meio direta de dizer as coisas. Ainda assim, eu não consigo te odiar, nem por um momento. Mesmo te conhecendo tão pouco, seu sorriso meio tímido me parece familiar e me passa uma confiança tal que nem sei explicar. Por fim durmo sorrindo por me fazer acreditar que meus sonhos não são tão impossíveis assim.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Bossa Nova.

Quero um amor assim, estilo bossa nova. Com frases e versos que exalam paixão. Imersa nessa maneira única, simples e sofisticada. Nessa batida que envolve e me leva. Um amor assim, para se ouvir horas e horas a fundo. Algo que possua esse poder de atração, que me prende, encanta e fascina tão facilmente. E que mesmo com o passar do tempo, que o seu significado permaneça intenso e seu sentimento continue vivo. Mas enquanto você não vem, cabe a mim, escutar de novo aquela canção que descreve o amor de forma alegre e poética. Embora tenha me soado demasiadamente triste nesses dias frios. A música segue e eu continuo ouvindo, cantando e te decompondo em versos. Componho essa espera em melodias bonitas, que pulsam a sonoridade do meu coração.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Caminhos.

Tanto tempo se passou que até me esqueci de quantas vezes fiquei perdida no meio do caminho. É engraçado, mas é como se caminhos tão distintos se embaralhassem. No mesmo instante em que tenho plena convicção dos meus objetivos, tudo muda e quando vejo estou indo embalada pelo impulso. Aquele trajeto pré-estabelecido vai se misturando a todos esses meus pensamentos que fazem seu jeito por vezes ser assim tão meu. É como tentar me manter equilibrada entre turbulentos sentimentos que não sabem bem qual direção seguir. A razão, o coração, a mente e a alma se uniram para me perder, e eu sigo assim meio sem saber pra que, pra onde e quando vou. Entre tantas indecisões acabo escolhendo seguir assim com minhas incertezas, eu que já pensei tanto em tudo, só quero continuar com minhas andanças. Afinal, quando se anda com fé no futuro, o trajeto já é por si uma grande escolha.

sábado, 29 de março de 2008

Amor.


É o amor que nasce e renasce das entranhas dos meus sentimentos desertos. É o amor que ressurge, se expande e amplia toda a minha visão e gostar pela vida. Sustenta toda minha fé, vontade e esperança. Ele que me faz valorizar cada momento, enriquece cada detalhe mínimo e me deixa perdidamente encantada por suas minúcias. É o amor sim, que muda o rumo da história, cria novos roteiros. Faz o choro sorrir, a espera arder, o cinza ficar colorido, a saudade adquirir novos sabores e até mesmo o ciúme ficar engraçado. É capaz de renovar forças, mudar a rota e o destino. É o amor que transforma todo um sonho em vida e faz com que a história de ficção enfim se realize.

Foto do filme "Antes do Amanhecer". Muito bom!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Lost in translation.


Quantas pessoas, lugares, situações e assuntos desconexos. Quanta ausência.

Estou cercada de vida, mas me sinto morta. É um tédio tão grande esperar sempre mais de tudo, e ser sempre assim...

Festas, bebidas, cigarros, músicas, tudo calculado para tirar minha dor de foco. Funciona, claro que sim! Porque não funcionaria? Só não dura o tempo necessário.

Enquanto estou entorpecida com esse teatro improvisado pela vida, tudo é belo o bastante para me ofuscar. Mas quando volto e me deito, a dor aumenta e a consciência de que me iludi novamente falta me matar.

Nessa vida de encontros e desencontros, acabamos encontrando alguém para nos mostrar que não somos os únicos a carregar essa dor incompreendida.

Para doar um pouco de vida, dividir um pouco de alegria.

Afinal onde estamos? Quem somos?

"- Eu devo me preocupar com você?
- Só se você quiser.”

"Everybody wants to be found."

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Recordações.

Hoje me peguei pensando em tudo aquilo que já julguei ser importante pra minha vida. De quantas vezes fiquei apegada a algo, jurando alto, fazendo planos em cima de indecisões e certezas passageiras. Quantas vezes cheguei a acreditar no inacreditável, dei crédito a quem não devia e até mesmo transformei simples pessoas em heroínas. Já perdi as contas. Atitudes tais que me transformaram na pessoa que sou hoje. Posso dizer que tudo isso, mesmo no momento me soando como perda negativa, me acrescentou muito. Acabei percebendo que pessoas importantes podem deixar de ser, que grandes decepções podem apagar toda uma história e que as perdas, na maior parte dos casos, não são insubstituíveis. Dias, ocasiões, passeios, músicas, filmes, sorrisos, abraços e principalmente o tempo vão tratando de levar tudo o que já se foi; embora. Deixando apenas uma lembrança amena. Hoje já me conformei e aceitei que por pior que eu esteja, sempre vai haver um amanhã, com um sol maravilhoso, uma série de coisas para fazer e pessoas incríveis para me impulsionar a continuar levantando todo dia, sorrindo e aprendendo com tudo que se passa. E o que eu me indago por vezes é o porque de continuar cometendo as mesmas atrocidades. De certa maneira, mesmo às vezes me mantendo um pouco pé atrás, eu não consigo ser tão amargurada e prefiro me machucar quantas vezes for, só para ter a certeza. Entre a indecisão e me manter ilesa, prefiro me arriscar e ter a certeza. Eu não perco a esperança nas pessoas em momento algum. Pois cada acerto me deixa realizada por completo. E mesmo vez ou outra me decepcionando, é o acerto que me faz continuar arriscando e tendo fé na vida, acreditando que é possível sim me encontrar mesmo me perdendo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Amenos.


Se você soubesse a falta que você tem feito nesses dias

Quando me sinto assim e tudo vai me sufocando devagar

Os dias vão passando apertado, a ausência vai levando tudo embora

Até aquela música que eu gostava tanto de ouvir, por me levar até você está perdendo o efeito, ta ficando morna...

Você deixara morrer?

Você me dizia um está bem tão terno, que tudo ficava realmente bem

Bate uma saudade sabe? De quando esse choro sufocado não nascia em mim

E quando me dava esse desespero você sempre me ajudava

De certa forma, mesmo sozinha, eu não era tão só assim

Você compartilhava comigo, e já não me pesava tanto

Tenho me escondido de tudo e vou me manter assim quietinha

Eu sei que no fim tudo vai parando aos poucos e se apaga

A falta vai se despedindo devagarzinho, está preste a parar de vez

Ainda me deparo com vontade de saber de você

e como vai seus novos rumos

Mas estou procurando me encontrar em outros caminhos

Mas...

Se eu te contasse tudo claramente, você aceitaria?

Se eu te explicasse detalhadamente, você me entenderia?

Se eu me arriscasse, você se arriscaria?


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Simplesmente não sei.

Não sei ser essa garota que você fantasiou e insiste em encaixá-la no meu perfil. Não sei falar assim tão sério sobre essas futilidades da vida e tratar banalidade com tamanha importância, tão pouco me impressionar com essas palavras que não sabem o peso que tem, a responsabilidade que causa e a dor que provoca. Não consigo ser está pessoa previsível e equilibrada, sorridente e tão bem humorada, que se encanta tão facilmente com as futilidades programadas. Por mais que vez ou outra você consiga encontrar algum ponto de semelhança, algo que te faça acreditar que eu posso vir a ser essa pessoa que você fantasiou tão sabiamente, não vejo motivos para se iludir e tentar em vão me moldar a sua forma.

Porque enquanto o mundo todo se dedica ao óbvio eu me dedico a correr em direção contraria, só para viver o inesperado. Não sei lidar com rotinas, roteiros prontos e situações tão programadas. Eu vivo o novo, o intenso, o agora. Sou apenas uma pessoa que esqueceu de crescer, só para continuar admirando as coisas belas da vida, vendo graça no mundo, rindo e me divertindo com essas situações. Por isso não se iluda, não tente me moldar a tua forma. Porque eu simplesmente só sei ser assim.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Utopia.

Quantos sonhos complacentes e felizes embarcados nessa vivência mórbida. Como é bom poder viver essa realidade paralela, que me faz acreditar ainda mais em você. Ser exatamente assim e te ver exatamente assim, me apaixonar pelo seu jeito simples e tão sofisticado de ser. Olhar-te nos olhos, horas e horas a fundo, sem titubear e me sentir tão compreendida. Bagunçar teu cabelo, me encantar no seu sorriso e poder te abraçar eternizado, é como se a vida fizesse todo sentido sendo assim. Tudo adquiriu sentidos distintos e está soando demasiadamente belo. O cenário mudou completamente, está com cores novas e vivas que se misturam nesse teu jeito de falar lento e educado, que sempre me prende a você de maneira tal que nem ao menos sei explicar. Você me soa como a mais bela canção, e eu passo horas te escutando e me recordando de toda aquela emoção. Seu companheirismo requintado transformou meu texto triste em pura paixão. E embora as horas corram depressa, você continua sempre aqui e ali, e sempre me faz rir assim sem razão. As horas passam, mas você não, e até os dias de mais intensa solidão, já não me dói tanto. Mesmo sabendo que você não faz parte de todo esse acalanto, eu continuo aqui te escrevendo, compondo e acreditando cada dia mais em você. E deste sonho não há ninguém que me faça acordar. Pois você é toda a realidade contida, todo desejo perdido, toda paixão despercebida. Você é todo o amor que não há. E quem será capaz de me provar e distinguir o real do irreal?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Cinzentos.

Ontem ao encostar a cabeça no travesseiro, me veio aquela mesma sensação que há tempos eu não queria encontrar e uma vozinha lá no fundo do meu inconsciente me disse algo como ‘não se traia de novo, não se torne essa garota alucinada e perdida, que sonha e acredita nessas fantasias irreais’.
Por um segundo eu não soube definir se tudo que estou vivendo é um sonho, um pesadelo ou só reflexos de uma vida pacata. Eu sempre sei dos perigos, eu sempre penso em tudo, nos mínimos detalhes, em todas as conseqüências possíveis. Mas nunca consigo me polpar dos estragos, por pior que tudo possa parecer, eu pulo de cabeça e quando abro os olhos já estou aos pedaços no chão.
Por mais familiar que essas situações sejam, algo de muito diferente aconteceu. Meu olhar não se desviou do teu, o nosso silêncio se entendeu e me senti paralisada perante a nossa conversa que dizia tudo sem uma só palavra.
E agora eu me perdi, não sei se fico, se vou, se corro, se me escondo. Como meu grande amigo sempre me recordava ‘nada é em vão’. Será que tudo que passei foi simplesmente para me provar que ainda não esta na hora de se atirar de novo, ou é o contrario? Foi um sinal de alerta? Um sinal de paranóia constante?
E onde era ausência nasce o desespero, onde era certeza nasce a indecisão.
Só me resta essa pontinha de agonia, essa dúvida. E por fim fica sempre essa minha grande companheira constante, a minha dor, que às vezes vai embora e me enche de novos ares, de vida, de certezas. Mas sempre volta para acinzentar os dias.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Respostas.

Eu tenho sempre tanta coisa pra lhe contar, que às vezes me perco nesse meu jeito meio distraído. Afogo-te nesses palavreados desconexos, no meu falar inconseqüente, na minha falta de tato com as coisas. E embora você insista em me enxergar como a garota sem sentimentos, eu continuo desviando o olhar para você não enxergar através dos meus olhos essa garota forte por fora e fraca por dentro.
E hoje eu lhe dedico esse texto, pra você que sempre me sorri terno e compartilha desses gostos tão similares. Que por vezes me alegra tanto com teu jeito leve de ser e outras me agride com suas opiniões fortes.
Você é algo para se agradecer todo dia, por me fazer companhia, entre tantas diferenças.
Você é o garoto que briga e me xinga, mas por vezes me elogia e exalta todo meu ser.
Você mais que um simples garoto é um companheiro, um parceiro, uma amigo para se admirar.
Um texto um pouco diferente dos demais, para alguém verdadeiro, que não existe só em sonhos. Um texto não abstrato, com um objetivo definido. Por fim lhe agradeço por ser o que é, exatamente assim e principalmente, por existir e deixar os dias mais leves, amenos e divertidos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Fugas.

Eu tenho escutado tantas palavras calculadas para transmitir algum encanto, tantos desejos fugazes, tantos sorrisos ligeiros. Qualquer coisa para me prender, para me encantar por um curto prazo, me fazer acreditar que tudo faz sentido assim sem sentido mesmo e que ser amarga e intensa demais nos dias de hoje é pura bobagem, pura perda de tempo.

Mas essas palavras continuam não me convencendo. E eu sigo correndo, correndo e correndo, sem saber quando vou parar.
E cada nova tentativa, cada nova palavrinha eu corro mais. E ninguém entende essas minhas fugas, alguns até tentam entender, mas a pressa do mundo não permite, tudo passa rápido demais e quando paro pra ver, já foi.
Hoje eu entendo o porque de tanto sofrimento de fuga e entendo o porque dessa felicidade fugaz de todos. Na verdade eu sigo correndo pra não me machucar nesses intervalos, para não me iludir nessa modernidade. Enquanto todos vivem intensamente a falta de vida e o comodismo. Ninguém se arrisca mais, todos estão desacreditados e seguem assim mesmo. Eu sofrida por fora e com uma alma leve e eles com uma alegria aparentemente triste.
Vou seguir correndo, com medo de me perder em alguma tentativa frustrada. Correndo, correndo, correndo até que alguém me de um basta, até que eu acredite no real, no possível. Até que alguém cansado de correr, me faça parar também.

Primeiro post do ano! Queria desejar a todos um feliz 2008, com muita paz, amor, saúde, sucesso e tudo que a de melhor para vocês! Beijokas