sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sentimentos sentidos.

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Não sei se compensa tanta dor, tanto estrago e remendos no coração. Não sei mais qual dor é pior, se é a dor de ficar ou a dor de partir. Mesmo que eu tente me manter ponderada meu coração é dilacerado e isso ninguém é capaz de conter. Ele pode até suportar o mais intenso frio ou um calor violento, mas jamais o morno. Meu coração se fortifica nos estados intensificados e o morno é o estado que não se definiu e não se intensificou. Meu coração se alimenta assim, com os extremos, no olhar que não desvia, naquele gostar demais que é tanto que incomoda. E claro, ele não se importa se isso é surreal, pois ele acredita, ele almeja, ele quer e não se cansa. Não se contenta com o que parece ser mas não é, com o que foi mas deixou de ser, ele se revolta, enlouquece à procura do seu sustento. Eu sou apenas uma vítima dos seus desejos. Às vezes eu só quero ficar em paz, poder curtir o que há para ser curtido, aproveitar enquanto esta. Mas para ele é muito pouco, ele quer sacrifícios, ele quer um querer por inteiro. Meu coração governa meu corpo por completo e dita a razão. Eu quero correr sem freios, me arriscar, perder a razão só para poder me completar no que me sustenta e ao mesmo tempo me mata. Busco algo forte para alcançar o equilíbrio, pesar a balança e só encontro meias dedicações, meios afetos mergulhados em palavras inteiras. Quero algo capaz de gritar forte e alto para estremecer toda essa razão, enterrar todo sentimento contido. Amar não é seguir uma linha linear e tranqüila com roteiro pré-definido, não é andar nas pontas dos pés para não se sujar. Talvez seja exatamente o contrário, talvez seja a capacidade de se jogar e sacrificar toda uma história, se sujar, enlouquecer e ainda assim se sentir a pessoa mais feliz do mundo.

8 comentários:

Anônimo disse...

Acabei de ler por varias vezes, “seus sentimentos sentidos”. Acredite, “Menina que a todos encantam”, percebi que vc tem a arte de fazer com que o leitor faça duas viagem: uma pelo interior da escritora e perceber e conhecer a grande sensibilidade e beleza que há neste. A outra viagem é que o leitor é induzido e estimulado a fazer dentro de si mesmo e ai ele sente valorizado por perceber que ele também, apesar de não possuir uma habilidade e inteligência tão apurada com a sua, seus sentimentos são praticamente iguais ao que o texto nos revela. Isso fascina o leitor, pois este, no desejo de conhecer a escritora, acaba conhecendo cada vez mais a si próprio. Se continuar assim, dentro de muito pouco tempo vc estará com certeza, escrevendo para grandes jornais e revistas nacionais. Nota mil.

Anônimo disse...

"Quero algo capaz de gritar forte e alto para estremecer toda essa razão"

EU TB QUEROOO!!! QUEROO E QUEROOO

quero td q ta escrito no seu texto...
ele foi feito pra mim
(y)
;D

=***

Anônimo disse...

E nós enquanto sociedade, rotulamos de loucos e insensatos a todos que quebram as normas da “lógica”, do habitual e vão viver publicamente com toda intensidade o “amor impossível” desigual e “inviável” como se o amor respeitasse leis, normas e credos. Por isso, estas suas afirmações no final do texto são riquíssimas e verdadeiras: permita-me aqui repetir: “Amar não é seguir uma linha linear e tranqüila com roteiro pré-definido, não é andar nas pontas dos pés para não se sujar. Talvez seja exatamente o contrário, talvez seja a capacidade de se jogar e sacrificar toda uma história, se sujar, enlouquecer e ainda assim se sentir a pessoa mais feliz do mundo.”
Com tal filosofia, aos que assim não agem vc indiretamente classifica –os de covardes! Seu texto é belo, verdadeiro, polemico e refletivo.
Olhe! Não uso chapéus, mas, se tivesse mil e os usassem, tiraria-os todos pra vc.

Taah disse...

Me pego por pensar as vezes no que disse: "Não sei mais qual dor é pior, se a dor de ficar ou a dor de partir"

Mas é bom que seu coração de direções do que ele quer, as vezes me sinto tão racional que esqueço de o ouvir, isso é ruim ;x

adorei
*:

Anônimo disse...

Eu tbm quero me sujar!

Chique é ser você mesma! disse...

Lindo seu blogger, adorei os textos.
Você me deixou um recado, pois coloquei um texto seu e não lhe identifiquei como autora, desculpa, mas onde peguei o texto não tinha seu nome. Vou editar.
Grande abraço!

Edson Marques disse...

Belíssimo texto!

E a foto da "Amélie Poulain" está pérfeita!


Abraços, flores, estrelas..

Anônimo disse...

Muito interessante a maneira como vc descreve as loucuras e peripécias do coração. Esplendido a sua afirmação de que o coração é ávido pelos extremos. Não se realiza com morno mas, com o não usual e surpreendente. Que ele tem um apetite voraz de nos transformarmos em vitimas para servi-lo.
Verdade! Ele é assim mesmo! Louco! Tão louco que nos leva a loucura de afirmamos que “devemos sempre escutar a voz do coração”. Que loucura!!!! Adorei seu texto.

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