quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Cinzentos.

Ontem ao encostar a cabeça no travesseiro, me veio aquela mesma sensação que há tempos eu não queria encontrar e uma vozinha lá no fundo do meu inconsciente me disse algo como ‘não se traia de novo, não se torne essa garota alucinada e perdida, que sonha e acredita nessas fantasias irreais’.
Por um segundo eu não soube definir se tudo que estou vivendo é um sonho, um pesadelo ou só reflexos de uma vida pacata. Eu sempre sei dos perigos, eu sempre penso em tudo, nos mínimos detalhes, em todas as conseqüências possíveis. Mas nunca consigo me polpar dos estragos, por pior que tudo possa parecer, eu pulo de cabeça e quando abro os olhos já estou aos pedaços no chão.
Por mais familiar que essas situações sejam, algo de muito diferente aconteceu. Meu olhar não se desviou do teu, o nosso silêncio se entendeu e me senti paralisada perante a nossa conversa que dizia tudo sem uma só palavra.
E agora eu me perdi, não sei se fico, se vou, se corro, se me escondo. Como meu grande amigo sempre me recordava ‘nada é em vão’. Será que tudo que passei foi simplesmente para me provar que ainda não esta na hora de se atirar de novo, ou é o contrario? Foi um sinal de alerta? Um sinal de paranóia constante?
E onde era ausência nasce o desespero, onde era certeza nasce a indecisão.
Só me resta essa pontinha de agonia, essa dúvida. E por fim fica sempre essa minha grande companheira constante, a minha dor, que às vezes vai embora e me enche de novos ares, de vida, de certezas. Mas sempre volta para acinzentar os dias.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Respostas.

Eu tenho sempre tanta coisa pra lhe contar, que às vezes me perco nesse meu jeito meio distraído. Afogo-te nesses palavreados desconexos, no meu falar inconseqüente, na minha falta de tato com as coisas. E embora você insista em me enxergar como a garota sem sentimentos, eu continuo desviando o olhar para você não enxergar através dos meus olhos essa garota forte por fora e fraca por dentro.
E hoje eu lhe dedico esse texto, pra você que sempre me sorri terno e compartilha desses gostos tão similares. Que por vezes me alegra tanto com teu jeito leve de ser e outras me agride com suas opiniões fortes.
Você é algo para se agradecer todo dia, por me fazer companhia, entre tantas diferenças.
Você é o garoto que briga e me xinga, mas por vezes me elogia e exalta todo meu ser.
Você mais que um simples garoto é um companheiro, um parceiro, uma amigo para se admirar.
Um texto um pouco diferente dos demais, para alguém verdadeiro, que não existe só em sonhos. Um texto não abstrato, com um objetivo definido. Por fim lhe agradeço por ser o que é, exatamente assim e principalmente, por existir e deixar os dias mais leves, amenos e divertidos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Fugas.

Eu tenho escutado tantas palavras calculadas para transmitir algum encanto, tantos desejos fugazes, tantos sorrisos ligeiros. Qualquer coisa para me prender, para me encantar por um curto prazo, me fazer acreditar que tudo faz sentido assim sem sentido mesmo e que ser amarga e intensa demais nos dias de hoje é pura bobagem, pura perda de tempo.

Mas essas palavras continuam não me convencendo. E eu sigo correndo, correndo e correndo, sem saber quando vou parar.
E cada nova tentativa, cada nova palavrinha eu corro mais. E ninguém entende essas minhas fugas, alguns até tentam entender, mas a pressa do mundo não permite, tudo passa rápido demais e quando paro pra ver, já foi.
Hoje eu entendo o porque de tanto sofrimento de fuga e entendo o porque dessa felicidade fugaz de todos. Na verdade eu sigo correndo pra não me machucar nesses intervalos, para não me iludir nessa modernidade. Enquanto todos vivem intensamente a falta de vida e o comodismo. Ninguém se arrisca mais, todos estão desacreditados e seguem assim mesmo. Eu sofrida por fora e com uma alma leve e eles com uma alegria aparentemente triste.
Vou seguir correndo, com medo de me perder em alguma tentativa frustrada. Correndo, correndo, correndo até que alguém me de um basta, até que eu acredite no real, no possível. Até que alguém cansado de correr, me faça parar também.

Primeiro post do ano! Queria desejar a todos um feliz 2008, com muita paz, amor, saúde, sucesso e tudo que a de melhor para vocês! Beijokas

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007


Em qual momento me perdi? Quando meu gostar deixou de te gostar e tudo foi seguido por minha criatividade ilusória? Qual foi o momento exato em que meu querer deixou de te querer para ser apenas uma obsessão sem a menor razão para ser. Eu me perco em devaneios e tento encontrar o começo, o meio e o fim. Entender o que veio a ser. Para onde foi e aonde vai. Onde a história se perdeu de mim, saiu do papel e invadiu meu viver. Mas eu fico aqui, e espero enfim me afogar no meu pensar, no meu desgostar, no seu encaminhar. E sigo tentando não me perder pelo caminho, cuidando de cada grão de mim, só para chegar inteira por fim. Eu nunca encontrei você e você nunca encontrou a mim. Eu não te conheço e você me desconhece. Você me invade e eu te liberto. Eu lhe transformo e você passa a ser o que é.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Viva!

Você me diz com a boca o que seus olhos desmentem. Diz estar satisfeito com sua vida e segue por ai rindo com um sorriso que não quer mais sorrir, uma felicidade que não se encontra mais. Tenta me convencer que adora a vida que tem, mas eu continuo lhe vendo pelas esquinas, se matando aos poucos. Se eu pudesse abrir sua percepção para essas coisas tão simples, mas você já perdeu a vontade de enxergar além e parece que só você não percebeu. Talvez um dia sem tantas cobranças pudesse resolver, você poderia entender que na vida nem tudo da certo, mas que o fundamental é saber admirar que as coisas que não dão errado é que fazem essa existência valer a pena. Tirar uma noite para rir simplesmente, admirar a lua e as estrelas, cantar e dançar qualquer coisa que glorifique a vida. Eu já me curvei demais para lhe levantar e minhas costas doem, minha vontade de te ajudar foi apagada pelo seu sorriso borrado de falsa felicidade. O mundo inteiro grita para que você prossiga e continue a se arrastar ridiculamente sem rumo. E talvez todos já tenham visto o que só você não consegue enxergar. Enquanto você não tomar as rédeas de sua própria vida, a correnteza do mundo vai continuar te levando para onde a maré quebra, escolhendo seus caminhos, que estão longe de serem os melhores. Você pode até brincar de surfar sobre as suas tristezas, mas cuidado para não perder suas forças, pois dessa vez o único que pode lhe ajudar, é você mesmo.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Amanhã.

Talvez num futuro distante eu volte aqui e leia cada um dos meus textos. E todas essas palavras que um dia eu libertei de mim, para tentar me equilibrar mais, se transformem apenas em palavras corriqueiras e eu vou achar tudo muito estúpido e banal. E por mais que eu diga que não quero mais esses sentimentos em mim, no fundo eu quero e muito, e dedico a alimentá-los, só para não voltar ao meu estado normal, só para continuar assim, vendo tudo de um ângulo diferente. Uma vez um amigo me disse que eu deveria aproveitar essas dores de amor, transformar esses sentimentos em algo proveitoso. Na época eu não conseguia enxergar nada de proveitoso para se fazer com minhas dores. O tempo passou e vejo que essa minha mania de dramatizar as coisas continuam intactas, mas minha maneira de perceber as coisas mudaram totalmente. Já consigo perceber que meu modo de encarar, viver e observar as coisas mudaram muito. E agora que estou passando por uma transformação de ciclos na minha vida, já consigo administrar melhor as coisas; levar comigo o melhor das situações, usufruir dos ensinamentos que essas dores me causam. Antes me ver assim, carregando essas dores chulas, do que seguindo adiante com o peito vazio. Pois não existe vida sem emoção.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Caquinhos.


Os dias, as semanas, os meses e os anos passam e eu continuo a mesma, embora completamente diferente. Continuo buscando e correndo sempre para o lado mais difícil da vida, querendo encontrar respostas que não existem. Mesmo mudando tanto, continuo com aquelas manias que eu nunca deveria conservar. Ainda me vejo juntando os seus caquinhos e eu que pensava que você só queria me trazer felicidade, me vejo aqui juntando inúmeros caquinhos, que me lembram qualquer coisa sobre você, mas continuam não me levando a lugar algum. E cada um desses pedacinhos de você, que vez ou outra deparo por ai, me fazem transbordar de saudade e dor. Já perdi as contas dos dias, dos caquinhos, dos choros e até mesmo do tamanho da minha dor e arrependimento. Continuo encontrando no sofrimento um ótimo ambiente para me aconchegar e me inspirar. Mas hoje num ato súbito de vida, joguei todos os teus caquinhos pro ar. Milhares deles, vários pedacinhos de você soltos em cada cantinho, a perder de vista. Foi como me libertar de correntes, que eu mesma havia criado. Fiquei cheia de vida, louca para retomar meus sintomas de felicidade. E eu quis novamente cantar e sair por ai, e usar aquele vestido rodado, tomar sorvete, ir naquele show que nunca tive a oportunidade, rir para os cães e para os bebes na rua, tomar um banho de chuva e tudo mais. Finalmente eu quis viver de novo, chutar as tristezas vãs e encontrar novos rostos, sorrisos e companhias para seguir distraindo a vida. E agora com a total consciência de que posso vir a encontrar caquinhos teus por ai, mas com a sabedoria de que mesmo se um dia eu viesse juntar todos eles e transformar tantos caquinhos em uma só coisa, o meu sacrifício, o tempo e a dedicação gasta não compensariam em nada. Aceitei por fim, que há determinadas coisas, assim como os caquinhos, que por mais que você dê tudo de si para voltar a sua antiga forma, não a cola que transforme.