segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Ser.

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Vivi, conheci, senti, sorri, chorei, gritei, me decepcionei. Quis, consegui, realizei, cantei, dancei, me perdi. Cansei, desisti, resmunguei, me amargurei. Desacreditei, esqueci e segui. Segui assim mesmo, já meio cansada, com olhar pousado de quem assiste a vida ao longe, já sem grandes contatos. Observei atentamente a tudo, me reservei e ainda assim sofri dores que não me pertenciam. Sonhei, criei, fantasiei e vivi amores surrealistas. Crie fórmulas para me afastar de toda a realidade que não se adaptavam a minha forma. Depois de viver anos de dias repetidos, de vida utópica, de angústia contida eu pude ver o sol. Pude visualizar o nascer do sol mais belo e nas últimas chuvas de lágrimas reguei a terra estéril que brotou pureza. Floresceu esse amor tão lindo. Essa beleza frágil que me comove e desnorteia.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Corazón.

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Quase choro. Quase escandalizo. É uma dor inteira, mas eu sei, não da pra ser. É tão estranho ser essa garota normal, controlada e tranqüila por fora e ser sempre descontrolada, intensa e melancólica por dentro. Como um vulcão, alimentado pelas incertezas e principalmente por minhas desconfianças. Dói demais segurar as pontas, manter tudo em ordem para não me transformar em louca por completo. Ter que me calar, engolir o choro, ser simpática com o medo, só para não desabar minhas estruturas. Um gosto de água salgada na boca, olhos com areia e coração desenfreado. Não me lembro de outro momento assim. Meus sentimentos nunca tomaram essa dimensão. Nunca tive tanto medo de perder tudo isso, é tudo sempre por um triz. E não quero ter que me despedir, nem lhe apresentar esse meu outro lado temido. Eu sei, essa compreensão que eu almejo é complicada. Não brota assim. Mas não gostaria que viesse a me compreender tarde demais, depois da ausência dos anos. É tão óbvio, visível e grande. Não sei se você fechou os olhos e prefere desacreditar. Vai ver só consegue enxergar com os ouvidos. Mas me dói demais, cobranças e palavras amargas. Nunca acreditei, quis e senti tanto assim. Tão óbvio meu bem, não duvide e nem me faça ter que libertar a louca só para lhe fazer perceber o que qualquer coração pode entender.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Para uma menina com uma flor

. Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.

E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando.
E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.

E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.

Para uma menina com uma flor - Vinicius de Moraes

E porque eu adoro esse texto, o livro, as músicas. Adoro esse 'cara'!

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sábado, 19 de julho de 2008

Direções.

Gastei tantos dias pensando em quando e como fazer. Perdi muito tempo com medo de ser o que sempre fui e fazer o que sempre quis. Cansei de temer a vida em si. Tanta coisa por vir, tudo aqui dentro da minha cabeça só esperando que eu tenha vontade de transformar em realidade. Parei de pensar um pouco em como seria e dediquei uns minutos para retirar as injeções de obstáculos que recebi. Sei lá, não sou muito de temer as coisas, mas passei tempo demais assim, com medo. Medo até de mim, dos meus pensamentos, das minhas coisas. Medo das dificuldades, dos obstáculos e imensa preguiça da vida. Perdi tempo demais. Até o filme que eu fiquei dias esperando estreou. A banda que eu tanto gosto tocou naquela casinha de show aconchegante. Eu estava tão perdida dentro de mim, não vi nada, não senti nada. Pensar demais e fazer de menos. Quase me perco nesse labirinto, quase fico por lá. Ainda bem que entre o quase encontrei um motivo para mudar, para me decidir. A vida é feita de escolhas. Pois é, mas às vezes necessito de uns empurrões para reagir. Como não percebi? Tão obvio, estava o tempo todo aqui.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Desmotivada.

Ando bastante desmotivada a vir aqui escrever. Qualquer coisa que seja. Hoje para completar minha motivação, deparei com um texto que publiquei aqui em outro blog, sem crédito, sem nada. Sempre achei que escrever é como me despir a estranhos. Imagina, deparei comigo despida num lugar totalmente desconhecido. Vai saber o que me espera por lá... rs bem sinistro mesmo! As pessoas me cansam. Tomara que a vontade volte. De certa forma necessito disso aqui.

domingo, 29 de junho de 2008

Eu e você.

Quando vejo você, chegando assim, com esse sorriso que me ganha tão fácil, com seu fone de ouvido pendurado na camisa e seu olhar que me prende, embarco em outra dimensão. Penso apenas em como é bom te ver chegar assim ao longe, com seu fone, balançando para lá e para cá, me hipnotizando em sua direção. Você tem todo aquele kit essencial, a inteligência que sempre procurei e o bom senso que nunca encontrei. Tento não ser tão clichê e ridicularizada, mas quando paro para pensar, já sou na maior intensidade. Pois quando lhe vejo, minha única vontade é ficar para sempre envolvida no teu abraço. E os dias que passam sem a sua presença, eu fico assim meio amuada recordando o que já passou. Nesses dias o leãozinho, aquele que você me deu, me olha triste e inconformado. Ele tem um ar de carência e ingenuidade, e me olha por horas assim meio de lado. Acredito que ele entenda bem essas dores do querer demais. Sabe, por vezes brota uns sentimentos estranhos. Sinto um medo gigante de perder tudo por tão pouco. Perder a esperança, a alegria e todo o resto. Tantas vezes vivi um amor fugaz projetado apenas pela minha criatividade. Se você for apenas uma projeção que criei para me preencher, que seja, mas seja sempre e na maior intensidade. Tenho medo de voltar àquela busca sem fim e meio desacreditada. Meu coração encontra-se tão bem acolhido assim, chega a ser um vício. Um bom vício, do qual não quero me desfazer. Porque você se encaixa perfeitamente nos meus desejos mais profundos e principalmente no meu coração.

domingo, 22 de junho de 2008

Incertezas.

Tudo amargamente estranho. Escutei a mesma música centenas de vezes. Uma confusão na cabeça e já nem sei se há razão para tanto. São tantas idéias deslumbrantes e terríveis que brotam sem pedir licença. Mistura essa sensação de medo com euforia, fica tudo desgovernado e eu detesto perder o controle das coisas. Meus olhos possuem vida própria e passam horas a te procurar. E nesses dias aflitos em meio a tantos carros, esquinas e prédios, eles desejam apenas teu sorriso que não se pos aqui.
Vozes distantes vieram contestar a veracidade dos fatos, a intensidade do acaso. A cena se desfez e incorporou tristeza e confusão. Meu coração ficou tão apertado e confuso. Logo ele que acreditava tanto. Agora solta um suspiro assustado e teme o que virá. Os olhos já não querem ver o que está adiante. A cada passo é uma aventura nova, não há como saber quando tudo virá a desabar. Não encontro evidências que me incentivem a seguir, alicerces ainda estão sendo construídos.
Meus olhos se fecham para tudo que possa ferir. Passam horas lendo suas frases e gestos singelos, almejando um dia lhe desvendar. E nesses seus textos mais tristes, lacrimejam emoções. Tantas dúvidas e incertezas nascem em mim. Soa como tempestades na minha aridez. Hoje minha cabeça dói, a dúvida permanece e a saudade invade fazendo moradia em mim.

Simplesmente posso esperar
Aqui por você, uma eternidade
Uma tarde inteira
Simplesmente posso encontrar
Qualquer distração, ruas da cidade
Restos de uma feira
Tomo um atalho no largo
Só pra te perder
Enquanto olho os aviões
Nada tremeu no ar
Não vi nenhum sinal
Mesmo assim eu posso esperar

Marina Machado - Simplesmente