sexta-feira, 19 de junho de 2009

Próximo Futuro Próspero

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Quando esta sereno demais, você me olha perdido e diz que o passar dos anos me deixara ainda mais bela. Sinto uma felicidade ou algum tipo de ironia interna. No fundo eu sei que daqui a alguns anos muitas coisas incríveis já terão acontecido, muito além da estética. O amor de hoje já terá se transformado em algo muito mais palpável e consistente. Terei algum ou alguns filhos. Uma casa estilo chalé, com cama aconchegante, sala de filmes, livros e um estúdio onde cantarei feliz. Mas tudo isso depois daquele dia de sorte grande, quando iremos juntos tentar a sorte, eu na sena e você na loto, e num ato de coincidência incrível ganharemos juntos e nos tornaremos o casal mais rico e feliz do mundo. Tudo isso sem perder a noção, sem se tornar um desses casais banais onde tudo gira em torno de uma roupa da moda ou do seu novo cachorro de raça. Poderei tirar enfim todas as crianças das ruas, com direito à comida boa e um alfajor diário. Fora às aulas de música para dar cor aos dias. E talvez eu até ganhe algum prêmio muito importante por minhas composições, mas nada vai se comparar com o elogio que receberei pessoalmente do Chico Buarque, será inesquecível. Teremos uma dessas câmeras modernosas, que registram cores vivas. Almodóvar ficara impressionado com sua sensibilidade, será um amigo muito próximo que nos dará dicas para os nossos filmes. E quando ficar sereno demais, eu vou me lembrar de dias como esse, em que sonhei pequeno.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Queria escrever algo para você

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Eu sei que hoje não é uma data especial, nem dia de tpm e inspiração. Mas é um dia perfeito pra lhe dizer o que tenho aqui comigo. Até porque nosso caso não é apenas datas especiais. Você consegue transformar esses dias não marcados, que passariam sem demora em algo para toda vida e a simplicidade com que isso acontece é o que faz a diferença. Especialmente hoje eu senti essa necessidade, até porque por tantas vezes te cobrei demais, exigi demais e fui ríspida demais, sabendo que eu poderia cobrar muito mais de mim. Bem sei que você se segurou muitas vezes e me agüentou assim mesmo para esperar a maré baixar. Só tenho a lhe agradecer por ter me acompanhado e me ajudado tantas vezes. Você faz a diferença e me faz continuar.

domingo, 3 de maio de 2009

O julgamento da boneca

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Parece que quanto mais perto do pódio, maior é a caminhada. E eu assisto de braços cruzados, você riscar a chance tão doída. E ver toda aquela intensidade se tornar fraca e frágil.
Queria tanto aproveitar cada segundo, mesmo os tristes. Cabe a nos transformar em cor o que já esta desbotando. Mas você gosta de ver o clima mudar, mesmo que para pior, até quando pode controlar a situação. Ver a nostalgia se transformar até a última instância.
Quando já não da mais, você tenta mudar, inútil e farto, a alegria que você deixou decolar a nossa frente. E ai só basta acenar ao longe, aquele adeus amargo que já se tornou familiar.
Minhas emoções são sempre assim por um fio. Minha alegria se desfaz rápido, mas você não tem medo de brincar com o que foge ao controle.
A alegria voando alto e você me segura e tenta mudar o que já foi, alcançar o que já partiu. Chega a minha hora, o ônibus cinza, o mesmo de sempre. Nosso adeus cinza, minha tristeza latente, sua raiva presente.
Minha preocupação gritante, mas nunca sei reagir na falta de cor. Chama, chama, chama. Ausência e ausência. Vários minutos perdidos no cinza. Finalmente um sinal de vida. Vida embriaga de cinzas, de palavras cinzas, de atitudes cinzas. Fala, fala, fala e transforma o cinza em breu.


Eu sou a sua boneca, chata e sensível. Aquela que não sabe falar e agora julga. A boneca de funções desconhecidas. Intensa demais que de tanto sentir se feriu inteira. A boneca que você aceitou e prometeu fazer feliz.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Rumo ao infinito

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Quero tanto me encontrar, que meu semblante plácido se desfez em desespero. Não sei que rumo tomei para chegar nesse presente corrosivo. Ultimamente tenho pensando muito no porque das coisas, isso enlouquece, mas queria saber por qual motivo especial estou aqui. Ontem pude ver um feixe de luz, pequeno e ofuscado, através de um garoto profeta que gritava alto ao som da modernidade. Dizia que a vida é muito mais do que essa rotina desenfreada, a vida tem uma razão e que ele veio promover a vida. Eu olhei com tanta fé e esperança, talvez estivesse cravado nele algo que perdi por ai. Não gosto muito dessa idéia de vida planejada, comigo as coisas sempre foram acontecendo e se acomodando e transformando, sem muita premeditação. Mas acho que esse moinho automático travou, ta tudo assim sem foco. Se pelo menos houvesse alguma dica, eu largaria tudo e mudaria o roteiro. Se houvesse garantia de final feliz, assumiria o que tanto quis. Mas a vida me poda, as pessoas me travam. E o mais triste é saber que eu permiti.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Não bata, mas não deixe de entrar.

Pois é, um vazio estranho costumeiro. Você costumava estar aqui, pelo menos nesses momentos. Nem sei se vou me acostumar. Eu sequer acreditava. Nem você acreditava não é? Nosso amor tinha todos os ingredientes para dar errado. Essa minha falta de tato, mais as minhas crises inúmeras e inúmeras e sua falta de fé nas nossas diferenças ou na diferença ou em mim, nem sei. Mas quem sabe, naqueles dias também não esperava. Talvez você apareça em algum desses descuidos. Ou se encontre em algum deles, melhor nem pensar. As coisas são tão inesperadas, talvez ainda te caiba aqui na minha solidão. E quem sabe, talvez você ainda possua todo aquele poder de transformar as coisas e restaurar o que já se deu por perdido. Tem sempre alguma coisa aqui precisando disso, talvez um pouco de zelo. Vez ou outra ainda inclino a cabeça achando que tenho seu ombro por perto. É só vazio. Às vezes sinto tanta falta de um ato de espontaneidade, um olhar meio bobo, uma frase livre e não moldada. Talvez eu pudesse me esforçar mais e ler para você todos os meus textos e cantar todas aquelas músicas que você não gostou ou não se importou o bastante. Há tempos que as coisas que eu emito só se tornam nítidas em você, mas isso é o de menos agora. Talvez eu te sirva só mais uma xícara de café, mesmo que eu ache inútil, farto, pouco. Talvez eu te chame para uma última dança a dois e me dê por perdida. Talvez você ainda se encontre em mim. Talvez tudo se renove no inesperado. Talvez tudo seja. Talvez.

sábado, 27 de dezembro de 2008

L'amour

Não entendo como o amor pode arder tanto, fazer tanto estrago. Você me apresentou para um outro lado meu que até então eu desconhecia, sequer sabia que existia. Foi me conhecer no mais íntimo. Eu chorava pelas decepções impostas, por raiva do que não era, por falta de esperança, mas por amor foi uma surpresa. O amor era algo muito distante do meu mundinho óbvio, tudo era apenas um filme em preto e branco, sem fala, sem trilha, sem fatos, tão ruim que nem havia porque ser retratado. E agora tão latente.
Talvez eu poderia encarar isso como uma prova de amor, mas do jeito que as coisas estão indo fica impossível. Parece que quer me levar apenas pela conveniência ou por medo do que o tempo nos reserva. E cada vez que eu tento falar o que
diverge é como se tudo saísse em outra língua que ninguém compreende e que ao mesmo tempo contamina todo o ambiente como um gás tóxico. E logo começa o ritual de palavras desencontradas que faz nascer uma dor inigualável que dói mais do que todas as noites em que me deitei após o vazio das festas e mais do que bater o dedinho do pé na quina. Prefiro não mais explicar e arcar com as dores posteriores que de fato são mais brandas.
Querer ser compreendida já é querer demais, mesmo amando tanto e tanto e tanto. Toda essa dor só compensa porque minha vida já tem você como parte integrante e só de imaginar como seria sem você toda essa dor se faz pequena, fraca e sem sentido. Quando o amor prevalecer eu sei que caminharemos juntos, pois não há motivo para correr a frente e curtir amargor a esperar o outro chegar. Só queria você aqui comigo.

"sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor
pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava
no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus
como você me doía vezenquando eu vou ficar esperando
você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma
praça então os meus braços não vão ser suficientes para
abraçar você e minha voz vai querer dizer tanta coisa
que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você
sem dizer nada só olhando olhando e pensando meu deus
ah meu deus como você me dói vezenquando"
Caio Fernando Abreu - Harriett

Foto da querida Amélie Poulain

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Regresso.

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Você tirou meu combustível para ver se eu funcionava no tranco. E eu fiquei parada, durante semanas esperando algo. Algo que não veio. Como uma pedra, esperando um toque de vida.

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