quinta-feira, 30 de abril de 2009

Rumo ao infinito

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Quero tanto me encontrar, que meu semblante plácido se desfez em desespero. Não sei que rumo tomei para chegar nesse presente corrosivo. Ultimamente tenho pensando muito no porque das coisas, isso enlouquece, mas queria saber por qual motivo especial estou aqui. Ontem pude ver um feixe de luz, pequeno e ofuscado, através de um garoto profeta que gritava alto ao som da modernidade. Dizia que a vida é muito mais do que essa rotina desenfreada, a vida tem uma razão e que ele veio promover a vida. Eu olhei com tanta fé e esperança, talvez estivesse cravado nele algo que perdi por ai. Não gosto muito dessa idéia de vida planejada, comigo as coisas sempre foram acontecendo e se acomodando e transformando, sem muita premeditação. Mas acho que esse moinho automático travou, ta tudo assim sem foco. Se pelo menos houvesse alguma dica, eu largaria tudo e mudaria o roteiro. Se houvesse garantia de final feliz, assumiria o que tanto quis. Mas a vida me poda, as pessoas me travam. E o mais triste é saber que eu permiti.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Não bata, mas não deixe de entrar.

Pois é, um vazio estranho costumeiro. Você costumava estar aqui, pelo menos nesses momentos. Nem sei se vou me acostumar. Eu sequer acreditava. Nem você acreditava não é? Nosso amor tinha todos os ingredientes para dar errado. Essa minha falta de tato, mais as minhas crises inúmeras e inúmeras e sua falta de fé nas nossas diferenças ou na diferença ou em mim, nem sei. Mas quem sabe, naqueles dias também não esperava. Talvez você apareça em algum desses descuidos. Ou se encontre em algum deles, melhor nem pensar. As coisas são tão inesperadas, talvez ainda te caiba aqui na minha solidão. E quem sabe, talvez você ainda possua todo aquele poder de transformar as coisas e restaurar o que já se deu por perdido. Tem sempre alguma coisa aqui precisando disso, talvez um pouco de zelo. Vez ou outra ainda inclino a cabeça achando que tenho seu ombro por perto. É só vazio. Às vezes sinto tanta falta de um ato de espontaneidade, um olhar meio bobo, uma frase livre e não moldada. Talvez eu pudesse me esforçar mais e ler para você todos os meus textos e cantar todas aquelas músicas que você não gostou ou não se importou o bastante. Há tempos que as coisas que eu emito só se tornam nítidas em você, mas isso é o de menos agora. Talvez eu te sirva só mais uma xícara de café, mesmo que eu ache inútil, farto, pouco. Talvez eu te chame para uma última dança a dois e me dê por perdida. Talvez você ainda se encontre em mim. Talvez tudo se renove no inesperado. Talvez tudo seja. Talvez.

sábado, 27 de dezembro de 2008

L'amour

Não entendo como o amor pode arder tanto, fazer tanto estrago. Você me apresentou para um outro lado meu que até então eu desconhecia, sequer sabia que existia. Foi me conhecer no mais íntimo. Eu chorava pelas decepções impostas, por raiva do que não era, por falta de esperança, mas por amor foi uma surpresa. O amor era algo muito distante do meu mundinho óbvio, tudo era apenas um filme em preto e branco, sem fala, sem trilha, sem fatos, tão ruim que nem havia porque ser retratado. E agora tão latente.
Talvez eu poderia encarar isso como uma prova de amor, mas do jeito que as coisas estão indo fica impossível. Parece que quer me levar apenas pela conveniência ou por medo do que o tempo nos reserva. E cada vez que eu tento falar o que
diverge é como se tudo saísse em outra língua que ninguém compreende e que ao mesmo tempo contamina todo o ambiente como um gás tóxico. E logo começa o ritual de palavras desencontradas que faz nascer uma dor inigualável que dói mais do que todas as noites em que me deitei após o vazio das festas e mais do que bater o dedinho do pé na quina. Prefiro não mais explicar e arcar com as dores posteriores que de fato são mais brandas.
Querer ser compreendida já é querer demais, mesmo amando tanto e tanto e tanto. Toda essa dor só compensa porque minha vida já tem você como parte integrante e só de imaginar como seria sem você toda essa dor se faz pequena, fraca e sem sentido. Quando o amor prevalecer eu sei que caminharemos juntos, pois não há motivo para correr a frente e curtir amargor a esperar o outro chegar. Só queria você aqui comigo.

"sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor
pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava
no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus
como você me doía vezenquando eu vou ficar esperando
você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma
praça então os meus braços não vão ser suficientes para
abraçar você e minha voz vai querer dizer tanta coisa
que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você
sem dizer nada só olhando olhando e pensando meu deus
ah meu deus como você me dói vezenquando"
Caio Fernando Abreu - Harriett

Foto da querida Amélie Poulain

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Regresso.

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Você tirou meu combustível para ver se eu funcionava no tranco. E eu fiquei parada, durante semanas esperando algo. Algo que não veio. Como uma pedra, esperando um toque de vida.

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domingo, 23 de novembro de 2008

Espaço Reservado.

.Vontade louca de enlouquecer. Tacar fogo, quebrar, destruir tudo e simplesmente sumir. Deve ser péssimo mesmo se desapontar. Mas é difícil perceber que o fato de você estar desapontado me desaponta também? É eu sei, é sempre assim, o mundo girando ao redor do umbigo. Se eu quisesse ser analisada talvez procurasse um analista e para os palpites um psicólogo, quem sabe. Onde tem espaço reservado para ser o que se é somente? Estou com porre de gente. Muita intromissão, devolvam minha bolha por favor? Quero um cantinho assim só meu onde eu possa ser somente. Quero ser uma louca intitulada, com toda a sua liberdade. Essa prisão que estou vivendo é muito pior, essa gente que não se realizou e tenta inutilmente se realizar nos outros e me prendem, puxam, limitam. Pior do que isso só as fantasias que rogam nas minhas palavras. Inconformados, todos se olham assustados, me chamam de insana, tentam delimitar o que já esta limitado. Enquanto eu estiver determinada, o céu será o meu limite.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sentimentos sentidos.

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Não sei se compensa tanta dor, tanto estrago e remendos no coração. Não sei mais qual dor é pior, se é a dor de ficar ou a dor de partir. Mesmo que eu tente me manter ponderada meu coração é dilacerado e isso ninguém é capaz de conter. Ele pode até suportar o mais intenso frio ou um calor violento, mas jamais o morno. Meu coração se fortifica nos estados intensificados e o morno é o estado que não se definiu e não se intensificou. Meu coração se alimenta assim, com os extremos, no olhar que não desvia, naquele gostar demais que é tanto que incomoda. E claro, ele não se importa se isso é surreal, pois ele acredita, ele almeja, ele quer e não se cansa. Não se contenta com o que parece ser mas não é, com o que foi mas deixou de ser, ele se revolta, enlouquece à procura do seu sustento. Eu sou apenas uma vítima dos seus desejos. Às vezes eu só quero ficar em paz, poder curtir o que há para ser curtido, aproveitar enquanto esta. Mas para ele é muito pouco, ele quer sacrifícios, ele quer um querer por inteiro. Meu coração governa meu corpo por completo e dita a razão. Eu quero correr sem freios, me arriscar, perder a razão só para poder me completar no que me sustenta e ao mesmo tempo me mata. Busco algo forte para alcançar o equilíbrio, pesar a balança e só encontro meias dedicações, meios afetos mergulhados em palavras inteiras. Quero algo capaz de gritar forte e alto para estremecer toda essa razão, enterrar todo sentimento contido. Amar não é seguir uma linha linear e tranqüila com roteiro pré-definido, não é andar nas pontas dos pés para não se sujar. Talvez seja exatamente o contrário, talvez seja a capacidade de se jogar e sacrificar toda uma história, se sujar, enlouquecer e ainda assim se sentir a pessoa mais feliz do mundo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Viagem Pessoal.

Experimento mil calças, centenas de blusas e opto pelo vestido. Passo pelas ruas observando atentamente cada detalhe, as retas paralelas, as flores que ainda irão brotar e até a formiguinha inquieta. Sou uma eterna turista na rua em que sempre vivi.
Pego o mesmo ônibus de sempre, fico olhando vidrada o abstrato tomando velocidade. Isso da uma vontade gigantesca de escrever algo, mas nunca tenho lápis ou papel. Logo escrevo na mente milhares de pensamentos bonitos.
Penso no quanto é bom ser essa criatura meio chata, meio idiota e até gosto um pouquinho mais de mim assim. Mesmo com minhas crises e manias eu aprendi a me suportar e hoje até convivo bem com as múltiplas Camilas.
Já me acostumei a conviver com a mania de organização intensa passageira. Limpa, limpa, limpa, lava, lava, lava, seca, seca, seca... Fico exausta, porém feliz em ver tudo em ordem e depois quando a desordem volta, vivo bem assim no meio da bagunça mesmo e curto uma preguiça danada.
Nem sequer me importo mais em ficar uma hora pintando as unhas para depois olhar bem fixamente e chegar a conclusão de que minhas unhas ficam bem melhor sem esmalte.
Às vezes até acho normal a minha fome de coisas que não existem, meus sentimentos intensos e meu frio exagerado. Passo horas reclamando banalidades e no fim chego a conclusão de que tudo é perfeito assim. Olho meu reflexo no vidro e fico feliz em ver essa harmonia desconexa, todas aquelas amarguras, tristezas e descontentamentos ficando pelo caminho.