Vou fazer barulho até você notar
Anjos e escândalos de luz vão te acordar
Ninguém vai te dar o que você não é
A felicidade nesse mundo é pra quem quer
Affonsinho

Estou com um outro blog http://miladriques.blogspot.com




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Pois é, um vazio estranho costumeiro. Você costumava estar aqui, pelo menos nesses momentos. Nem sei se vou me acostumar. Eu sequer acreditava. Nem você acreditava não é? Nosso amor tinha todos os ingredientes para dar errado. Essa minha falta de tato, mais as minhas crises inúmeras e inúmeras e sua falta de fé nas nossas diferenças ou na diferença ou em mim, nem sei. Mas quem sabe, naqueles dias também não esperava. Talvez você apareça em algum desses descuidos. Ou se encontre em algum deles, melhor nem pensar. As coisas são tão inesperadas, talvez ainda te caiba aqui na minha solidão. E quem sabe, talvez você ainda possua todo aquele poder de transformar as coisas e restaurar o que já se deu por perdido. Tem sempre alguma coisa aqui precisando disso, talvez um pouco de zelo. Vez ou outra ainda inclino a cabeça achando que tenho seu ombro por perto. É só vazio. Às vezes sinto tanta falta de um ato de espontaneidade, um olhar meio bobo, uma frase livre e não moldada. Talvez eu pudesse me esforçar mais e ler para você todos os meus textos e cantar todas aquelas músicas que você não gostou ou não se importou o bastante. Há tempos que as coisas que eu emito só se tornam nítidas em você, mas isso é o de menos agora. Talvez eu te sirva só mais uma xícara de café, mesmo que eu ache inútil, farto, pouco. Talvez eu te chame para uma última dança a dois e me dê por perdida. Talvez você ainda se encontre em mim. Talvez tudo se renove no inesperado. Talvez tudo seja. Talvez.
"sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor
Vontade louca de enlouquecer. Tacar fogo, quebrar, destruir tudo e simplesmente sumir. Deve ser péssimo mesmo se desapontar. Mas é difícil perceber que o fato de você estar desapontado me desaponta também? É eu sei, é sempre assim, o mundo girando ao redor do umbigo. Se eu quisesse ser analisada talvez procurasse um analista e para os palpites um psicólogo, quem sabe. Onde tem espaço reservado para ser o que se é somente? Estou com porre de gente. Muita intromissão, devolvam minha bolha por favor? Quero um cantinho assim só meu onde eu possa ser somente. Quero ser uma louca intitulada, com toda a sua liberdade. Essa prisão que estou vivendo é muito pior, essa gente que não se realizou e tenta inutilmente se realizar nos outros e me prendem, puxam, limitam. Pior do que isso só as fantasias que rogam nas minhas palavras. Inconformados, todos se olham assustados, me chamam de insana, tentam delimitar o que já esta limitado. Enquanto eu estiver determinada, o céu será o meu limite.
Não sei se compensa tanta dor, tanto estrago e remendos no coração. Não sei mais qual dor é pior, se é a dor de ficar ou a dor de partir. Mesmo que eu tente me manter ponderada meu coração é dilacerado e isso ninguém é capaz de conter. Ele pode até suportar o mais intenso frio ou um calor violento, mas jamais o morno. Meu coração se fortifica nos estados intensificados e o morno é o estado que não se definiu e não se intensificou. Meu coração se alimenta assim, com os extremos, no olhar que não desvia, naquele gostar demais que é tanto que incomoda. E claro, ele não se importa se isso é surreal, pois ele acredita, ele almeja, ele quer e não se cansa. Não se contenta com o que parece ser mas não é, com o que foi mas deixou de ser, ele se revolta, enlouquece à procura do seu sustento. Eu sou apenas uma vítima dos seus desejos. Às vezes eu só quero ficar em paz, poder curtir o que há para ser curtido, aproveitar enquanto esta. Mas para ele é muito pouco, ele quer sacrifícios, ele quer um querer por inteiro. Meu coração governa meu corpo por completo e dita a razão. Eu quero correr sem freios, me arriscar, perder a razão só para poder me completar no que me sustenta e ao mesmo tempo me mata. Busco algo forte para alcançar o equilíbrio, pesar a balança e só encontro meias dedicações, meios afetos mergulhados em palavras inteiras. Quero algo capaz de gritar forte e alto para estremecer toda essa razão, enterrar todo sentimento contido. Amar não é seguir uma linha linear e tranqüila com roteiro pré-definido, não é andar nas pontas dos pés para não se sujar. Talvez seja exatamente o contrário, talvez seja a capacidade de se jogar e sacrificar toda uma história, se sujar, enlouquecer e ainda assim se sentir a pessoa mais feliz do mundo.
Experimento mil calças, centenas de blusas e opto pelo vestido. Passo pelas ruas observando atentamente cada detalhe, as retas paralelas, as flores que ainda irão brotar e até a formiguinha inquieta. Sou uma eterna turista na rua em que sempre vivi.

Vivi, conheci, senti, sorri, chorei, gritei, me decepcionei. Quis, consegui, realizei, cantei, dancei, me perdi. Cansei, desisti, resmunguei, me amargurei. Desacreditei, esqueci e segui. Segui assim mesmo, já meio cansada, com olhar pousado de quem assiste a vida ao longe, já sem grandes contatos. Observei atentamente a tudo, me reservei e ainda assim sofri dores que não me pertenciam. Sonhei, criei, fantasiei e vivi amores surrealistas. Crie fórmulas para me afastar de toda a realidade que não se adaptavam a minha forma. Depois de viver anos de dias repetidos, de vida utópica, de angústia contida eu pude ver o sol. Pude visualizar o nascer do sol mais belo e nas últimas chuvas de lágrimas reguei a terra estéril que brotou pureza. Floresceu esse amor tão lindo. Essa beleza frágil que me comove e desnorteia.

Quase choro. Quase escandalizo. É uma dor inteira, mas eu sei, não da pra ser. É tão estranho ser essa garota normal, controlada e tranqüila por fora e ser sempre descontrolada, intensa e melancólica por dentro. Como um vulcão, alimentado pelas incertezas e principalmente por minhas desconfianças. Dói demais segurar as pontas, manter tudo em ordem para não me transformar em louca por completo. Ter que me calar, engolir o choro, ser simpática com o medo, só para não desabar minhas estruturas. Um gosto de água salgada na boca, olhos com areia e coração desenfreado. Não me lembro de outro momento assim. Meus sentimentos nunca tomaram essa dimensão. Nunca tive tanto medo de perder tudo isso, é tudo sempre por um triz. E não quero ter que me despedir, nem lhe apresentar esse meu outro lado temido. Eu sei, essa compreensão que eu almejo é complicada. Não brota assim. Mas não gostaria que viesse a me compreender tarde demais, depois da ausência dos anos. É tão óbvio, visível e grande. Não sei se você fechou os olhos e prefere desacreditar. Vai ver só consegue enxergar com os ouvidos. Mas me dói demais, cobranças e palavras amargas. Nunca acreditei, quis e senti tanto assim. Tão óbvio meu bem, não duvide e nem me faça ter que libertar a louca só para lhe fazer perceber o que qualquer coração pode entender.
Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
Gastei tantos dias pensando em quando e como fazer. Perdi muito tempo com medo de ser o que sempre fui e fazer o que sempre quis. Cansei de temer a vida em si. Tanta coisa por vir, tudo aqui dentro da minha cabeça só esperando que eu tenha vontade de transformar em realidade. Parei de pensar um pouco em como seria e dediquei uns minutos para retirar as injeções de obstáculos que recebi. Sei lá, não sou muito de temer as coisas, mas passei tempo demais assim, com medo. Medo até de mim, dos meus pensamentos, das minhas coisas. Medo das dificuldades, dos obstáculos e imensa preguiça da vida. Perdi tempo demais. Até o filme que eu fiquei dias esperando estreou. A banda que eu tanto gosto tocou naquela casinha de show aconchegante. Eu estava tão perdida dentro de mim, não vi nada, não senti nada. Pensar demais e fazer de menos. Quase me perco nesse labirinto, quase fico por lá. Ainda bem que entre o quase encontrei um motivo para mudar, para me decidir. A vida é feita de escolhas. Pois é, mas às vezes necessito de uns empurrões para reagir. Como não percebi? Tão obvio, estava o tempo todo aqui.
Ando bastante desmotivada a vir aqui escrever. Qualquer coisa que seja. Hoje para completar minha motivação, deparei com um texto que publiquei aqui em outro blog, sem crédito, sem nada. Sempre achei que escrever é como me despir a estranhos. Imagina, deparei comigo despida num lugar totalmente desconhecido. Vai saber o que me espera por lá... rs bem sinistro mesmo! As pessoas me cansam. Tomara que a vontade volte. De certa forma necessito disso aqui.
Quando vejo você, chegando assim, com esse sorriso que me ganha tão fácil, com seu fone de ouvido pendurado na camisa e seu olhar que me prende, embarco em outra dimensão. Penso apenas em como é bom te ver chegar assim ao longe, com seu fone, balançando para lá e para cá, me hipnotizando em sua direção. Você tem todo aquele kit essencial, a inteligência que sempre procurei e o bom senso que nunca encontrei. Tento não ser tão clichê e ridicularizada, mas quando paro para pensar, já sou na maior intensidade. Pois quando lhe vejo, minha única vontade é ficar para sempre envolvida no teu abraço. E os dias que passam sem a sua presença, eu fico assim meio amuada recordando o que já passou. Nesses dias o leãozinho, aquele que você me deu, me olha triste e inconformado. Ele tem um ar de carência e ingenuidade, e me olha por horas assim meio de lado. Acredito que ele entenda bem essas dores do querer demais. Sabe, por vezes brota uns sentimentos estranhos. Sinto um medo gigante de perder tudo por tão pouco. Perder a esperança, a alegria e todo o resto. Tantas vezes vivi um amor fugaz projetado apenas pela minha criatividade. Se você for apenas uma projeção que criei para me preencher, que seja, mas seja sempre e na maior intensidade. Tenho medo de voltar àquela busca sem fim e meio desacreditada. Meu coração encontra-se tão bem acolhido assim, chega a ser um vício. Um bom vício, do qual não quero me desfazer. Porque você se encaixa perfeitamente nos meus desejos mais profundos e principalmente no meu coração.
Simplesmente posso esperar
Aqui por você, uma eternidade
Uma tarde inteira
Simplesmente posso encontrar
Qualquer distração, ruas da cidade
Restos de uma feira
Tomo um atalho no largo
Só pra te perder
Enquanto olho os aviões
Nada tremeu no ar
Não vi nenhum sinal
Mesmo assim eu posso esperar
Marina Machado - Simplesmente
Frio. Muito frio. Faço um achocolatado bem quente que desce marcando trajetos. Embrulho-me no edredom, fecho os olhos e tento esquecer um pouco do muito que é tudo isso. Mas de nada adianta. Ando feito uma barata tonta atordoada. Sinto fome de algo que nunca comi, saudade de um lugar que nunca fui e nem ao menos sei se existe. Que estranho, parece que nada faz sentido. A TV só aumenta minha ânsia, tantos canais, mas por Deus é tudo igual? Em dias assim, nem meu violão obedece meus comandos. Toca desenfreado por cima da minha aflição. Nenhum lugar é confortável o bastante, passo a tarde toda inquieta. E penso, paro, mudo de lugar, tomo outro banho, medito e repenso. Toda essa sensação me lembra de coisas já esquecidas. De como tudo muda, mas permanece. De como era a minha infância e a maneira com que eu observava a tudo e todos. Chegava a ser engraçado, eu lá sentada assistindo ao longe as crianças nos seus patins a esborrachar-se no chão. E ao primeiro convite a se juntar à brincadeira eu não pensava duas vezes. Como é duro sentir demais e falar de menos. Ser tão frigida e tão derretida. Toda essa intensidade que me agonia e não me deixa em paz. Ligo novamente o computador e começo a escrever algo desconexo e sem rumo. Como é bom me desfazer deste peso. Palavras saem de mim e criam vida em outros ambientes. Ha sim, agora tudo faz sentido novamente.