sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Céu mar

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Vou fazer barulho até você notar

Anjos e escândalos de luz vão te acordar
Ninguém vai te dar o que você não é

A felicidade nesse mundo é pra quem quer

Affonsinho


Tantas palavras engolidas e não digeridas. Palavras presas, criando vida dentro da vida. Um milhão de pedaços meus fragmentados e espalhados. Fui seguindo uma linha, uma vida, um raciocínio que fazia todo sentido e quando vi... cadê? Onde está o sentido? Esperando o dia que já foi, a leveza que passou. Sem paisagem pra olhar, sem canção pra suavizar. Tudo assim no seco, rasgado. Camuflando a parte podre para ressaltar o encanto. Abrindo a alma, me expondo por completo. Amor mendigo, pobre, dependente. Coração naufragando na turbulência selvagem do mar. E por tantas vezes peguei o rumo de volta, quase consegui fugir. Mas estava lá o tempo todo, acima do mar, no azul do céu. Tranqüilidade a serenar. Toda imensidão me mostrando as ondas da minha cabeça e o céu do meu coração.

Estou com um outro blog http://miladriques.blogspot.com ^^

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Próximo Futuro Próspero

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Quando esta sereno demais, você me olha perdido e diz que o passar dos anos me deixara ainda mais bela. Sinto uma felicidade ou algum tipo de ironia interna. No fundo eu sei que daqui a alguns anos muitas coisas incríveis já terão acontecido, muito além da estética. O amor de hoje já terá se transformado em algo muito mais palpável e consistente. Terei algum ou alguns filhos. Uma casa estilo chalé, com cama aconchegante, sala de filmes, livros e um estúdio onde cantarei feliz. Mas tudo isso depois daquele dia de sorte grande, quando iremos juntos tentar a sorte, eu na sena e você na loto, e num ato de coincidência incrível ganharemos juntos e nos tornaremos o casal mais rico e feliz do mundo. Tudo isso sem perder a noção, sem se tornar um desses casais banais onde tudo gira em torno de uma roupa da moda ou do seu novo cachorro de raça. Poderei tirar enfim todas as crianças das ruas, com direito à comida boa e um alfajor diário. Fora às aulas de música para dar cor aos dias. E talvez eu até ganhe algum prêmio muito importante por minhas composições, mas nada vai se comparar com o elogio que receberei pessoalmente do Chico Buarque, será inesquecível. Teremos uma dessas câmeras modernosas, que registram cores vivas. Almodóvar ficara impressionado com sua sensibilidade, será um amigo muito próximo que nos dará dicas para os nossos filmes. E quando ficar sereno demais, eu vou me lembrar de dias como esse, em que sonhei pequeno.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Queria escrever algo para você

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Eu sei que hoje não é uma data especial, nem dia de tpm e inspiração. Mas é um dia perfeito pra lhe dizer o que tenho aqui comigo. Até porque nosso caso não é apenas datas especiais. Você consegue transformar esses dias não marcados, que passariam sem demora em algo para toda vida e a simplicidade com que isso acontece é o que faz a diferença. Especialmente hoje eu senti essa necessidade, até porque por tantas vezes te cobrei demais, exigi demais e fui ríspida demais, sabendo que eu poderia cobrar muito mais de mim. Bem sei que você se segurou muitas vezes e me agüentou assim mesmo para esperar a maré baixar. Só tenho a lhe agradecer por ter me acompanhado e me ajudado tantas vezes. Você faz a diferença e me faz continuar.

domingo, 3 de maio de 2009

O julgamento da boneca

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Parece que quanto mais perto do pódio, maior é a caminhada. E eu assisto de braços cruzados, você riscar a chance tão doída. E ver toda aquela intensidade se tornar fraca e frágil.
Queria tanto aproveitar cada segundo, mesmo os tristes. Cabe a nos transformar em cor o que já esta desbotando. Mas você gosta de ver o clima mudar, mesmo que para pior, até quando pode controlar a situação. Ver a nostalgia se transformar até a última instância.
Quando já não da mais, você tenta mudar, inútil e farto, a alegria que você deixou decolar a nossa frente. E ai só basta acenar ao longe, aquele adeus amargo que já se tornou familiar.
Minhas emoções são sempre assim por um fio. Minha alegria se desfaz rápido, mas você não tem medo de brincar com o que foge ao controle.
A alegria voando alto e você me segura e tenta mudar o que já foi, alcançar o que já partiu. Chega a minha hora, o ônibus cinza, o mesmo de sempre. Nosso adeus cinza, minha tristeza latente, sua raiva presente.
Minha preocupação gritante, mas nunca sei reagir na falta de cor. Chama, chama, chama. Ausência e ausência. Vários minutos perdidos no cinza. Finalmente um sinal de vida. Vida embriaga de cinzas, de palavras cinzas, de atitudes cinzas. Fala, fala, fala e transforma o cinza em breu.


Eu sou a sua boneca, chata e sensível. Aquela que não sabe falar e agora julga. A boneca de funções desconhecidas. Intensa demais que de tanto sentir se feriu inteira. A boneca que você aceitou e prometeu fazer feliz.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Rumo ao infinito

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Quero tanto me encontrar, que meu semblante plácido se desfez em desespero. Não sei que rumo tomei para chegar nesse presente corrosivo. Ultimamente tenho pensando muito no porque das coisas, isso enlouquece, mas queria saber por qual motivo especial estou aqui. Ontem pude ver um feixe de luz, pequeno e ofuscado, através de um garoto profeta que gritava alto ao som da modernidade. Dizia que a vida é muito mais do que essa rotina desenfreada, a vida tem uma razão e que ele veio promover a vida. Eu olhei com tanta fé e esperança, talvez estivesse cravado nele algo que perdi por ai. Não gosto muito dessa idéia de vida planejada, comigo as coisas sempre foram acontecendo e se acomodando e transformando, sem muita premeditação. Mas acho que esse moinho automático travou, ta tudo assim sem foco. Se pelo menos houvesse alguma dica, eu largaria tudo e mudaria o roteiro. Se houvesse garantia de final feliz, assumiria o que tanto quis. Mas a vida me poda, as pessoas me travam. E o mais triste é saber que eu permiti.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Não bata, mas não deixe de entrar.

Pois é, um vazio estranho costumeiro. Você costumava estar aqui, pelo menos nesses momentos. Nem sei se vou me acostumar. Eu sequer acreditava. Nem você acreditava não é? Nosso amor tinha todos os ingredientes para dar errado. Essa minha falta de tato, mais as minhas crises inúmeras e inúmeras e sua falta de fé nas nossas diferenças ou na diferença ou em mim, nem sei. Mas quem sabe, naqueles dias também não esperava. Talvez você apareça em algum desses descuidos. Ou se encontre em algum deles, melhor nem pensar. As coisas são tão inesperadas, talvez ainda te caiba aqui na minha solidão. E quem sabe, talvez você ainda possua todo aquele poder de transformar as coisas e restaurar o que já se deu por perdido. Tem sempre alguma coisa aqui precisando disso, talvez um pouco de zelo. Vez ou outra ainda inclino a cabeça achando que tenho seu ombro por perto. É só vazio. Às vezes sinto tanta falta de um ato de espontaneidade, um olhar meio bobo, uma frase livre e não moldada. Talvez eu pudesse me esforçar mais e ler para você todos os meus textos e cantar todas aquelas músicas que você não gostou ou não se importou o bastante. Há tempos que as coisas que eu emito só se tornam nítidas em você, mas isso é o de menos agora. Talvez eu te sirva só mais uma xícara de café, mesmo que eu ache inútil, farto, pouco. Talvez eu te chame para uma última dança a dois e me dê por perdida. Talvez você ainda se encontre em mim. Talvez tudo se renove no inesperado. Talvez tudo seja. Talvez.

sábado, 27 de dezembro de 2008

L'amour

Não entendo como o amor pode arder tanto, fazer tanto estrago. Você me apresentou para um outro lado meu que até então eu desconhecia, sequer sabia que existia. Foi me conhecer no mais íntimo. Eu chorava pelas decepções impostas, por raiva do que não era, por falta de esperança, mas por amor foi uma surpresa. O amor era algo muito distante do meu mundinho óbvio, tudo era apenas um filme em preto e branco, sem fala, sem trilha, sem fatos, tão ruim que nem havia porque ser retratado. E agora tão latente.
Talvez eu poderia encarar isso como uma prova de amor, mas do jeito que as coisas estão indo fica impossível. Parece que quer me levar apenas pela conveniência ou por medo do que o tempo nos reserva. E cada vez que eu tento falar o que
diverge é como se tudo saísse em outra língua que ninguém compreende e que ao mesmo tempo contamina todo o ambiente como um gás tóxico. E logo começa o ritual de palavras desencontradas que faz nascer uma dor inigualável que dói mais do que todas as noites em que me deitei após o vazio das festas e mais do que bater o dedinho do pé na quina. Prefiro não mais explicar e arcar com as dores posteriores que de fato são mais brandas.
Querer ser compreendida já é querer demais, mesmo amando tanto e tanto e tanto. Toda essa dor só compensa porque minha vida já tem você como parte integrante e só de imaginar como seria sem você toda essa dor se faz pequena, fraca e sem sentido. Quando o amor prevalecer eu sei que caminharemos juntos, pois não há motivo para correr a frente e curtir amargor a esperar o outro chegar. Só queria você aqui comigo.

"sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor
pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava
no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus
como você me doía vezenquando eu vou ficar esperando
você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma
praça então os meus braços não vão ser suficientes para
abraçar você e minha voz vai querer dizer tanta coisa
que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você
sem dizer nada só olhando olhando e pensando meu deus
ah meu deus como você me dói vezenquando"
Caio Fernando Abreu - Harriett

Foto da querida Amélie Poulain

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Regresso.

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Você tirou meu combustível para ver se eu funcionava no tranco. E eu fiquei parada, durante semanas esperando algo. Algo que não veio. Como uma pedra, esperando um toque de vida.

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domingo, 23 de novembro de 2008

Espaço Reservado.

.Vontade louca de enlouquecer. Tacar fogo, quebrar, destruir tudo e simplesmente sumir. Deve ser péssimo mesmo se desapontar. Mas é difícil perceber que o fato de você estar desapontado me desaponta também? É eu sei, é sempre assim, o mundo girando ao redor do umbigo. Se eu quisesse ser analisada talvez procurasse um analista e para os palpites um psicólogo, quem sabe. Onde tem espaço reservado para ser o que se é somente? Estou com porre de gente. Muita intromissão, devolvam minha bolha por favor? Quero um cantinho assim só meu onde eu possa ser somente. Quero ser uma louca intitulada, com toda a sua liberdade. Essa prisão que estou vivendo é muito pior, essa gente que não se realizou e tenta inutilmente se realizar nos outros e me prendem, puxam, limitam. Pior do que isso só as fantasias que rogam nas minhas palavras. Inconformados, todos se olham assustados, me chamam de insana, tentam delimitar o que já esta limitado. Enquanto eu estiver determinada, o céu será o meu limite.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sentimentos sentidos.

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Não sei se compensa tanta dor, tanto estrago e remendos no coração. Não sei mais qual dor é pior, se é a dor de ficar ou a dor de partir. Mesmo que eu tente me manter ponderada meu coração é dilacerado e isso ninguém é capaz de conter. Ele pode até suportar o mais intenso frio ou um calor violento, mas jamais o morno. Meu coração se fortifica nos estados intensificados e o morno é o estado que não se definiu e não se intensificou. Meu coração se alimenta assim, com os extremos, no olhar que não desvia, naquele gostar demais que é tanto que incomoda. E claro, ele não se importa se isso é surreal, pois ele acredita, ele almeja, ele quer e não se cansa. Não se contenta com o que parece ser mas não é, com o que foi mas deixou de ser, ele se revolta, enlouquece à procura do seu sustento. Eu sou apenas uma vítima dos seus desejos. Às vezes eu só quero ficar em paz, poder curtir o que há para ser curtido, aproveitar enquanto esta. Mas para ele é muito pouco, ele quer sacrifícios, ele quer um querer por inteiro. Meu coração governa meu corpo por completo e dita a razão. Eu quero correr sem freios, me arriscar, perder a razão só para poder me completar no que me sustenta e ao mesmo tempo me mata. Busco algo forte para alcançar o equilíbrio, pesar a balança e só encontro meias dedicações, meios afetos mergulhados em palavras inteiras. Quero algo capaz de gritar forte e alto para estremecer toda essa razão, enterrar todo sentimento contido. Amar não é seguir uma linha linear e tranqüila com roteiro pré-definido, não é andar nas pontas dos pés para não se sujar. Talvez seja exatamente o contrário, talvez seja a capacidade de se jogar e sacrificar toda uma história, se sujar, enlouquecer e ainda assim se sentir a pessoa mais feliz do mundo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Viagem Pessoal.

Experimento mil calças, centenas de blusas e opto pelo vestido. Passo pelas ruas observando atentamente cada detalhe, as retas paralelas, as flores que ainda irão brotar e até a formiguinha inquieta. Sou uma eterna turista na rua em que sempre vivi.
Pego o mesmo ônibus de sempre, fico olhando vidrada o abstrato tomando velocidade. Isso da uma vontade gigantesca de escrever algo, mas nunca tenho lápis ou papel. Logo escrevo na mente milhares de pensamentos bonitos.
Penso no quanto é bom ser essa criatura meio chata, meio idiota e até gosto um pouquinho mais de mim assim. Mesmo com minhas crises e manias eu aprendi a me suportar e hoje até convivo bem com as múltiplas Camilas.
Já me acostumei a conviver com a mania de organização intensa passageira. Limpa, limpa, limpa, lava, lava, lava, seca, seca, seca... Fico exausta, porém feliz em ver tudo em ordem e depois quando a desordem volta, vivo bem assim no meio da bagunça mesmo e curto uma preguiça danada.
Nem sequer me importo mais em ficar uma hora pintando as unhas para depois olhar bem fixamente e chegar a conclusão de que minhas unhas ficam bem melhor sem esmalte.
Às vezes até acho normal a minha fome de coisas que não existem, meus sentimentos intensos e meu frio exagerado. Passo horas reclamando banalidades e no fim chego a conclusão de que tudo é perfeito assim. Olho meu reflexo no vidro e fico feliz em ver essa harmonia desconexa, todas aquelas amarguras, tristezas e descontentamentos ficando pelo caminho.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Ancorado.

'nem sei se a dor é suporte
pra tanta aventura vã
eu fico apertando do toque
a saudade de suas mãos
bem sei que nada é pra sempre,
mas tudo é eterno
pras coisas que a alma se curva'

Vavá Ribeiro - Ancorado



Dor de cabeça, inquietação e ansiedade. Meus olhos passaram a tarde inteira engolindo lágrimas, encharcaram a alma. É estranho, mas, nos momentos serenos tudo permanece tranqüilo e equilibrado. Uma tranqüilidade um tanto quanto assustadora, pois quando realmente preciso, eu me vejo como em tempos passados. Acredito mesmo que o que deveria passar continua aqui comigo. Por mais que eu mude e insista em não enxergar. Está sempre aqui dentro de mim.
Passo a maior parte do tempo procurando coisas que nem sei se existem. Acreditando em fatos tão concretos que não conseguem atravessar minha bolha. Os meus inúmeros sorrisos carregam um peso de tristeza oculta, uma inconstância que não está no mundo, nem nas circunstâncias e sim em mim. Tento me concentrar um pouco mais nas coisas reais, mas aqui dentro, tudo grita. Acordei brigada comigo mesma. Tudo cria complô e tudo me chateia. Vasculho todos os pensamentos, respostas que nunca vou encontrar. Desmotivada demais para ver flores no caminho. Cansada de tentar entender, de procurar solução. Cansada da minha bolha impermeável. A verdade é que eu tento, eu sempre tento.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Ser.

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Vivi, conheci, senti, sorri, chorei, gritei, me decepcionei. Quis, consegui, realizei, cantei, dancei, me perdi. Cansei, desisti, resmunguei, me amargurei. Desacreditei, esqueci e segui. Segui assim mesmo, já meio cansada, com olhar pousado de quem assiste a vida ao longe, já sem grandes contatos. Observei atentamente a tudo, me reservei e ainda assim sofri dores que não me pertenciam. Sonhei, criei, fantasiei e vivi amores surrealistas. Crie fórmulas para me afastar de toda a realidade que não se adaptavam a minha forma. Depois de viver anos de dias repetidos, de vida utópica, de angústia contida eu pude ver o sol. Pude visualizar o nascer do sol mais belo e nas últimas chuvas de lágrimas reguei a terra estéril que brotou pureza. Floresceu esse amor tão lindo. Essa beleza frágil que me comove e desnorteia.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Corazón.

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Quase choro. Quase escandalizo. É uma dor inteira, mas eu sei, não da pra ser. É tão estranho ser essa garota normal, controlada e tranqüila por fora e ser sempre descontrolada, intensa e melancólica por dentro. Como um vulcão, alimentado pelas incertezas e principalmente por minhas desconfianças. Dói demais segurar as pontas, manter tudo em ordem para não me transformar em louca por completo. Ter que me calar, engolir o choro, ser simpática com o medo, só para não desabar minhas estruturas. Um gosto de água salgada na boca, olhos com areia e coração desenfreado. Não me lembro de outro momento assim. Meus sentimentos nunca tomaram essa dimensão. Nunca tive tanto medo de perder tudo isso, é tudo sempre por um triz. E não quero ter que me despedir, nem lhe apresentar esse meu outro lado temido. Eu sei, essa compreensão que eu almejo é complicada. Não brota assim. Mas não gostaria que viesse a me compreender tarde demais, depois da ausência dos anos. É tão óbvio, visível e grande. Não sei se você fechou os olhos e prefere desacreditar. Vai ver só consegue enxergar com os ouvidos. Mas me dói demais, cobranças e palavras amargas. Nunca acreditei, quis e senti tanto assim. Tão óbvio meu bem, não duvide e nem me faça ter que libertar a louca só para lhe fazer perceber o que qualquer coração pode entender.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Para uma menina com uma flor

. Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.

E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando.
E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.

E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.

Para uma menina com uma flor - Vinicius de Moraes

E porque eu adoro esse texto, o livro, as músicas. Adoro esse 'cara'!

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sábado, 19 de julho de 2008

Direções.

Gastei tantos dias pensando em quando e como fazer. Perdi muito tempo com medo de ser o que sempre fui e fazer o que sempre quis. Cansei de temer a vida em si. Tanta coisa por vir, tudo aqui dentro da minha cabeça só esperando que eu tenha vontade de transformar em realidade. Parei de pensar um pouco em como seria e dediquei uns minutos para retirar as injeções de obstáculos que recebi. Sei lá, não sou muito de temer as coisas, mas passei tempo demais assim, com medo. Medo até de mim, dos meus pensamentos, das minhas coisas. Medo das dificuldades, dos obstáculos e imensa preguiça da vida. Perdi tempo demais. Até o filme que eu fiquei dias esperando estreou. A banda que eu tanto gosto tocou naquela casinha de show aconchegante. Eu estava tão perdida dentro de mim, não vi nada, não senti nada. Pensar demais e fazer de menos. Quase me perco nesse labirinto, quase fico por lá. Ainda bem que entre o quase encontrei um motivo para mudar, para me decidir. A vida é feita de escolhas. Pois é, mas às vezes necessito de uns empurrões para reagir. Como não percebi? Tão obvio, estava o tempo todo aqui.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Desmotivada.

Ando bastante desmotivada a vir aqui escrever. Qualquer coisa que seja. Hoje para completar minha motivação, deparei com um texto que publiquei aqui em outro blog, sem crédito, sem nada. Sempre achei que escrever é como me despir a estranhos. Imagina, deparei comigo despida num lugar totalmente desconhecido. Vai saber o que me espera por lá... rs bem sinistro mesmo! As pessoas me cansam. Tomara que a vontade volte. De certa forma necessito disso aqui.

domingo, 29 de junho de 2008

Eu e você.

Quando vejo você, chegando assim, com esse sorriso que me ganha tão fácil, com seu fone de ouvido pendurado na camisa e seu olhar que me prende, embarco em outra dimensão. Penso apenas em como é bom te ver chegar assim ao longe, com seu fone, balançando para lá e para cá, me hipnotizando em sua direção. Você tem todo aquele kit essencial, a inteligência que sempre procurei e o bom senso que nunca encontrei. Tento não ser tão clichê e ridicularizada, mas quando paro para pensar, já sou na maior intensidade. Pois quando lhe vejo, minha única vontade é ficar para sempre envolvida no teu abraço. E os dias que passam sem a sua presença, eu fico assim meio amuada recordando o que já passou. Nesses dias o leãozinho, aquele que você me deu, me olha triste e inconformado. Ele tem um ar de carência e ingenuidade, e me olha por horas assim meio de lado. Acredito que ele entenda bem essas dores do querer demais. Sabe, por vezes brota uns sentimentos estranhos. Sinto um medo gigante de perder tudo por tão pouco. Perder a esperança, a alegria e todo o resto. Tantas vezes vivi um amor fugaz projetado apenas pela minha criatividade. Se você for apenas uma projeção que criei para me preencher, que seja, mas seja sempre e na maior intensidade. Tenho medo de voltar àquela busca sem fim e meio desacreditada. Meu coração encontra-se tão bem acolhido assim, chega a ser um vício. Um bom vício, do qual não quero me desfazer. Porque você se encaixa perfeitamente nos meus desejos mais profundos e principalmente no meu coração.

domingo, 22 de junho de 2008

Incertezas.

Tudo amargamente estranho. Escutei a mesma música centenas de vezes. Uma confusão na cabeça e já nem sei se há razão para tanto. São tantas idéias deslumbrantes e terríveis que brotam sem pedir licença. Mistura essa sensação de medo com euforia, fica tudo desgovernado e eu detesto perder o controle das coisas. Meus olhos possuem vida própria e passam horas a te procurar. E nesses dias aflitos em meio a tantos carros, esquinas e prédios, eles desejam apenas teu sorriso que não se pos aqui.
Vozes distantes vieram contestar a veracidade dos fatos, a intensidade do acaso. A cena se desfez e incorporou tristeza e confusão. Meu coração ficou tão apertado e confuso. Logo ele que acreditava tanto. Agora solta um suspiro assustado e teme o que virá. Os olhos já não querem ver o que está adiante. A cada passo é uma aventura nova, não há como saber quando tudo virá a desabar. Não encontro evidências que me incentivem a seguir, alicerces ainda estão sendo construídos.
Meus olhos se fecham para tudo que possa ferir. Passam horas lendo suas frases e gestos singelos, almejando um dia lhe desvendar. E nesses seus textos mais tristes, lacrimejam emoções. Tantas dúvidas e incertezas nascem em mim. Soa como tempestades na minha aridez. Hoje minha cabeça dói, a dúvida permanece e a saudade invade fazendo moradia em mim.

Simplesmente posso esperar
Aqui por você, uma eternidade
Uma tarde inteira
Simplesmente posso encontrar
Qualquer distração, ruas da cidade
Restos de uma feira
Tomo um atalho no largo
Só pra te perder
Enquanto olho os aviões
Nada tremeu no ar
Não vi nenhum sinal
Mesmo assim eu posso esperar

Marina Machado - Simplesmente

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Frio.

Frio. Muito frio. Faço um achocolatado bem quente que desce marcando trajetos. Embrulho-me no edredom, fecho os olhos e tento esquecer um pouco do muito que é tudo isso. Mas de nada adianta. Ando feito uma barata tonta atordoada. Sinto fome de algo que nunca comi, saudade de um lugar que nunca fui e nem ao menos sei se existe. Que estranho, parece que nada faz sentido. A TV só aumenta minha ânsia, tantos canais, mas por Deus é tudo igual? Em dias assim, nem meu violão obedece meus comandos. Toca desenfreado por cima da minha aflição. Nenhum lugar é confortável o bastante, passo a tarde toda inquieta. E penso, paro, mudo de lugar, tomo outro banho, medito e repenso. Toda essa sensação me lembra de coisas já esquecidas. De como tudo muda, mas permanece. De como era a minha infância e a maneira com que eu observava a tudo e todos. Chegava a ser engraçado, eu lá sentada assistindo ao longe as crianças nos seus patins a esborrachar-se no chão. E ao primeiro convite a se juntar à brincadeira eu não pensava duas vezes. Como é duro sentir demais e falar de menos. Ser tão frigida e tão derretida. Toda essa intensidade que me agonia e não me deixa em paz. Ligo novamente o computador e começo a escrever algo desconexo e sem rumo. Como é bom me desfazer deste peso. Palavras saem de mim e criam vida em outros ambientes. Ha sim, agora tudo faz sentido novamente.